Paulo Pimenta visita a Argentina e critica modelo econômico de Javier Milei
Deputado visitou o país vizinho nesta sexta-feira (23) e afirmou que o ajuste fiscal argentino gerou cortes em programas sociais e aposentadorias
Por Redação Diário Local
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-SP) visitou a Argentina nesta sexta-feira (23) em nome da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para avaliar o modelo econômico do presidente argentino Javier Milei. Em vídeo publicado nos perfis de Lula, o parlamentar criticou os impactos do ajuste fiscal no país vizinho e comparou a política argentina ao plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL).
Acompanhado pelo cientista político Santiago Tangir, Pimenta afirmou que as medidas econômicas adotadas pelo governo de Milei resultaram em cortes em aposentadorias, programas sociais e investimentos públicos. A legenda do vídeo publicado pelo parlamentar associa as medidas ao plano de Flávio Bolsonaro: “A mesma motosserra que passou por lá, agora ameaça passar no Brasil, pela tesoura de Flávio Bolsonaro”.
Segundo Tangir, 65% do ajuste fiscal realizado na Argentina corresponde a cortes em aposentadorias e programas sociais. O cientista político explicou que a redução de benefícios, somada ao fim de programas de medicamentos gratuitos e de subsídios em serviços básicos, agravou a situação financeira dos idosos argentinos.
O orçamento das universidades públicas argentinas também foi alvo de críticas. De acordo com Tangir, as instituições sofreram uma redução superior a um terço de seus recursos durante o mandato de Milei, o que provocou dificuldades financeiras e queda na remuneração de professores.
O governo argentino também paralisou obras públicas e reduziu repasses de recursos às províncias, o que afeta serviços de saúde, educação e segurança. O cenário de cortes gerou protestos de estudantes, aposentados e sindicalistas na Argentina neste mês.
A visita ocorre em um momento de disputa de modelos econômicos para a campanha de Flávio Bolsonaro. A coordenadora econômica do candidato, Daniella Marques, afirmou que a equipe pretende se inspirar no modelo de Milei para realizar o chamado “tesouraço” proposto em seu plano de governo.
Marques defendeu que o modelo de Milei é um exemplo para retomar a capacidade de investimento e reduzir burocracia e impostos. A coordenadora informou que a equipe econômica de Flávio já identificou mais de 1.000 normas que poderiam ser revogadas em um eventual governo para reduzir despesas públicas.
A equipe de Flávio Bolsonaro afirmou, no entanto, que programas sociais, como o Bolsa Família, seriam preservados caso o candidato assuma a presidência. O debate sobre a aplicação do modelo argentino no Brasil ganhou contornos de disputa política após as declarações sobre a inspiração no "Plano Motosserra".
