PF identifica fonte de jornalista em reportagem contra Flávio Dino
Relatório aponta que Raimundo Soares Cutrim forneceu informações e imagens sobre uso de veículos oficiais ao profissional.
Por Redação Diário Local
A Polícia Federal (PF) identificou Raimundo Soares Cutrim como a fonte que forneceu informações e imagens ao jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida para uma reportagem sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino. A conclusão consta em relatório da corporação que motivou a decisão do ministro Alexandre de Moraes de autorizar mandados de busca e apreensão contra a fonte e outros envolvidos, cumpridos nesta terça-feira (11).
Segundo o documento da PF, a identificação ocorreu após o acesso à conta de WhatsApp Web do jornalista por meio de um notebook que havia sido apreendido meses antes por ordem de Moraes. As investigações apontam que Cutrim teria enviado os dados utilizados na matéria publicada em novembro de 2025, que tratava do uso de veículos oficiais por Flávio Dino e familiares.
Raimundo Soares Cutrim ocupava o cargo de secretário de Estado Extraordinário de Assuntos Legislativos do Maranhão, mas foi exonerado da função em 20 de julho. O relatório detalha que os investigadores localizaram o contato de Cutrim nas mensagens de Luís Pablo, permitindo vincular o secretário às informações repassadas ao profissional.
Investigação sobre advogado e direcionamento de pauta
A apuração da Polícia Federal também recaiu sobre o advogado Diogo Diniz Lima, ex-secretário municipal de Urbanismo e Habitação de São Luís, que também foi alvo de buscas nesta terça-feira (11). De acordo com a PF, mensagens entre o jornalista e o advogado indicam que Lima orientava o conteúdo das reportagens que deveriam ser publicadas contra o ministro do STF.
O relatório aponta que Diogo Diniz Lima teria solicitado que o jornalista apagasse mensagens relacionadas a uma matéria específica sobre o ministro. A corporação sustenta que as conversas indicam um possível direcionamento de pautas por parte do advogado para o jornalista.
Transferência de R$ 100 mil sob suspeita
A análise das comunicações levou os investigadores a identificar uma transferência de R$ 100 mil realizada por Diogo Diniz Lima em favor de Luís Pablo. O valor, no entanto, foi depositado na conta de um terceiro, identificado como Danilo Cutrim Bezerra.
A Polícia Federal explicou que, embora o pagamento pudesse ser interpretado inicialmente como uma relação de fonte e jornalista, a evolução das mensagens para uma movimentação financeira de alto valor levantou dúvidas sobre a motivação. A defesa do valor apresentado pelo jornalista é que ele seria parte do pagamento pela compra de um imóvel rural de Danilo, no valor total de R$ 461 mil.
Apesar da justificativa do imóvel, a PF argumenta que o montante e a forma como foi enviado sugerem uma relação que vai além da mera troca de informações. Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes reproduziu o entendimento da Polícia Federal de que o pagamento gera dúvidas sobre a natureza do vínculo entre o advogado e o jornalista.
