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Segurança

Polícia Federal indicia 48 pessoas por esquema de fraude e propina no INSS

Investigação aponta que R$ 24,6 milhões foram repassados a agentes públicos que eram chamados de 'heróis' e 'amigos' pelos fraudadores

Por Davy Albuquerque

A Polícia Federal indiciou 48 pessoas por envolvimento em um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que teria desviado R$ 708 milhões. Segundo o relatório da investigação, agentes públicos que recebiam propinas eram chamados pelos fraudadores de “heróis”, “notáveis” e “amigos”.

As investigações, parte da Operação Sem Desconto, revelaram o uso de codinomes e linguagem cifrada em mensagens extraídas de celulares apreendidos. De acordo com a Polícia Federal, o pagamento de valores indevidos a altos gestores servia como um mecanismo de blindagem institucional para garantir a continuidade das fraudes.

O montante repassado diretamente a agentes públicos é estimado em pelo menos R$ 24,6 milhões. O esquema teria atingido mais de 600 mil vítimas, gerando milhares de reclamações judiciais e administrativas devido aos descontos indevidos.

Entre os indiciados pela PF estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Antônio Stefanutto, que teria recebido R$ 250 mil por mês e era apelidado de “italiano”. Também figuram no relatório o ex-procurador-geral da autarquia, Virgílio Antônio Ribeiro Filho, o ex-ministro da Previdência, José Carlos Oliveira, e o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes.

As mensagens interceptadas mostram variações de apelidos para os investigados. O ex-procurador-geral era identificado como “malvado”, enquanto o presidente da Conafer era tratado como “painho” e “funai”. Outro indiciado, Antônio Carlos Camilo Antunes, era referido como “senza capelli” — expressão em italiano para “careca”.

A Polícia Federal apurou que os repasses de propina ocorriam de forma quase mensal e eram provenientes de descontos associativos. Parte desse dinheiro teria passado por empresas de fachada, incluindo uma pizzaria, conforme detalhado no levantamento de dados bancários e celulares.

A investigação aponta que o apoio de políticos e gestores de alta administração era essencial para a fluidez do esquema. Sem esses pagamentos recorrentes, o grupo não conseguiria manter uma fraude de tamanha magnitude sem ser interrompido.

A Operação Sem Desconto teve origem após denúncias sobre o disparo na arrecadação de entidades que realizam descontos em aposentadorias, que chegou a R$ 2 bilhões em um ano. O trabalho da Polícia Federal também contou com o auxílio de apurações da Controladoria-Geral da União (CGU).

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.