Relatório da PF aponta proximidade entre Jaques Wagner e empresário ligado ao Banco Master
Relatório da Polícia Federal detalha mensagens e envio de presentes entre a família do senador e o empresário Augusto Lima
Por Redação Diário Local
Um relatório da Polícia Federal (PF) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta vínculos entre a família do senador Jaques Wagner (PT-BA) e a do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. A investigação descreve uma relação de "proximidade e amizade" entre os envolvidos.
Segundo os investigadores, a esposa do senador, Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, enviou mensagens de agradecimento à família de Lima após uma viagem à Ilha da Paixão. O documento detalha que, após um encontro entre as famílias, o empresário encaminhou ao senador o prefixo e o horário de deslocamento de um avião.
O relatório também cita o envio de presentes em dezembro de 2024, incluindo garrafas de vinho avaliadas entre R$ 2,5 mil e R$ 5,3 mil. Nas embalagens, a PF identificou bilhetes direcionados ao senador e ao seu enteado, Guilherme Sodré, apontado no documento como operador e pessoa de confiança do parlamentar.
A Polícia Federal apura se o senador ou seus familiares receberam vantagens econômicas de Augusto Lima ou de Daniel Vorcaro. A investigação busca verificar se essas vantagens estariam relacionadas à atuação de Wagner em temas de interesse do Banco Master, incluindo a tramitação de projetos no Congresso Nacional que poderiam beneficiar a instituição.
O que diz o senador Jaques Wagner?
O senador Jaques Wagner afirmou nesta sexta-feira (31) que tem certeza de que provará sua inocência nas investigações que ligam seu nome ao caso do Banco Master. Em entrevista à Rádio Baiana FM, o parlamentar declarou estar "tranquilo" e focado nas eleições de outubro.
Wagner explicou que deixou o cargo de liderança do governo no Senado com o objetivo de "não contaminar" e "não perturbar" as apurações. Ele relatou ainda que esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dias após as operações de busca e apreensão em endereços ligados ao senador.
Contexto da investigação
As apurações sobre as fraudes no Banco Master integram a operação Compliance Zero, autorizada pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. O caso passou a tramitar no STF em dezembro do mesmo ano, sob a supervisão do ministro Dias Toffoli.
A relatoria do inquérito foi assumida pelo ministro André Mendonça em fevereiro de 2026. O sigilo sobre o relatório que detalha os vínculos entre as famílias foi retirado pelo magistrado nesta quinta-feira (30).
