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Investigação

Relatório da PF detalha mensagens entre advogado e banqueiro sobre procurador-geral

Documento aponta que advogado Ciro Soares intermediava contato entre Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Paulo Gonet

Por Redação Diário Local

Um relatório de 218 páginas da Polícia Federal detalha mensagens trocadas entre o advogado Ciro Soares e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, que sugerem uma intermediação com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Os dados foram extraídos do celular de Vorcaro e tornaram-se públicos nesta terça-feira (1) após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a retirada do sigilo das investigações. O documento foi entregue à Justiça nesta quinta-feira (27).

Segundo os investigadores, o advogado Ciro Soares atuava como uma ponte entre o banqueiro e o procurador-geral. Em 15 de março de 2025, Soares enviou uma fotografia de uma selfie tirada com Paulo Gonet para Vorcaro, acompanhada da mensagem: “Liga aqui. Ele quer falar com vc”. Logo após, ocorreram chamadas de voz entre o advogado e o banqueiro.

O que dizem as mensagens sobre viagens

O relatório aponta que, em 28 de março de 2025, Soares encaminhou mensagens atribuídas a Gonet para Vorcaro, mencionando saudades e uma viagem para Roma. Na sequência, o advogado afirmou que o procurador-geral iria para Londres com um grupo.

As mensagens também trataram de detalhes de uma viagem para Londres, relacionada a um fórum jurídico organizado por Vorcaro. Em um trecho, Soares encaminhou uma mensagem atribuída a Gonet que mencionava charutos e whisky Macallan. Em resposta, Vorcaro comentou sobre a possibilidade de haver "plantação de charuto e barril de macallan".

A investigação também registrou diálogos sobre o custeio de despesas. Em 29 de março de 2025, Soares disse a Vorcaro que o procurador-geral teria pedido que o banqueiro também financiasse a ida do filho de Gonet para Londres. Em 11 de abril, uma funcionária de Vorcaro consultou o banqueiro sobre quais convidados poderiam viajar com despesas pagas pela instituição, e ele aprovou o pagamento para o advogado Soares e para o filho do procurador-geral.

Sobre a investigação

As informações constam de um relatório produzido pela Polícia Federal a partir da análise do aparelho celular de Daniel Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero. A operação foi deflagrada em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).

A Polícia Federal ressaltou que a análise das mensagens não possui caráter exaustivo, uma vez que foi realizada dentro de um prazo de 72 horas determinado judicialmente. Parte das mensagens era enviada via recurso de visualização única do WhatsApp, o que limitou a reconstrução de alguns diálogos.

O ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral Paulo Gonet e a defesa de Daniel Vorcaro foram procurados para comentar o conteúdo, mas não responderam até a publicação deste texto.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.