Diário Local
Investigação

Relatório da PF revela lista de presentes para políticos da Bahia em investigação

Documento da Polícia Federal aponta conversa sobre envio de vinhos de luxo para autoridades baianas em inquérito contra Jaques Wagner.

Por Redação Diário Local

Um relatório da Polícia Federal (PF) que integra o inquérito contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) revelou mensagens sobre o envio de vinhos de luxo para diversos políticos da Bahia. As conversas, obtidas pela corporação, detalham a escolha de presentes de Natal com valores que variam entre R$ 2,5 mil e R$ 5,3 mil.

A investigação aponta que o diálogo ocorreu via WhatsApp em dezembro de 2024, entre Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, e sua secretária. Na ocasião, foi apresentada uma lista intitulada 'Lembranças de Final do Ano', que continha nomes de figuras influentes da política baiana.

Entre os nomes mencionados na lista estão o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, o prefeito de Salvador, Bruno Reis, e o atual candidato ao governo do estado, ACM Neto. O documento da corporação também cita o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda.

A Polícia Federal explicou que, embora os valores dos vinhos envolvidos sejam considerados modestos quando comparados às cifras de outras fraudes da Operação Compliance Zero, a conduta pode ser irregular. Segundo o relatório, o envio pode caracterizar a concessão de vantagens em razão da função pública dos envolvidos.

A corporação ressaltou que todos os destinatários elencados na conversa ocupam ou ocuparam cargos de relevância na esfera política do estado da Bahia. Por esse motivo, o tratamento dado aos presentes é objeto de análise no inquérito.

O relatório da PF reproduz um trecho de conversa do dia 23 de dezembro de 2024, no qual constam embalagens endereçadas a "Jaques" e ao apelido "Tio Guiga". O apelido refere-se a Guilherme Henrique Sodré Martins, que é amigo do senador Jaques Wagner.

Apesar do detalhamento das mensagens e da lista de destinatários, a Polícia Federal não indicou se os políticos citados chegaram a receber efetivamente os vinhos de luxo. A investigação foca na dinâmica de poder exercida por Augusto Ferreira Lima sobre agentes políticos do estado.

O inquérito segue em curso para apurar o alcance das comunicações e a relação entre os envolvidos e as possíveis vantagens concedidas durante o período das festas de fim de ano.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.