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Maranhão

Condenado por homicídio entrega documentos à PF com alegações de envolvimento de grupo político no Maranhão

Gilbson Cutrim Júnior entregou à Polícia Federal lista de processos, vídeos e etiquetas de dinheiro; defesa aponta esquema de cobrança de empresas.

Por Redação Diário Local

Gilbson Cutrim Júnior, condenado por um homicídio em São Luís, entregou à Polícia Federal (PF) documentos que podem comprovar a participação do grupo do governador Carlos Brandão (MDB) em crimes envolvendo desvio de dinheiro público no Maranhão. Entre os itens apresentados estão uma lista de processos escrita à mão, a etiqueta de um maço de dinheiro vivo e o vídeo de um veículo.

Segundo a defesa de Gilbson, o esquema funcionava por meio da cobrança de processos de empresas que possuíam créditos de gestões passadas do governo. O combinado seria que, ao receber os valores na atual gestão, os empresários devolveriam parte do montante para o grupo político.

A petição enviada à PF detalha que Gilbson deveria "correr atrás" de processos com valores acima de R$ 5 milhões. O condenado afirmou ainda que realizou reuniões com o governador dentro do Palácio dos Leões, sede do governo estadual, e que transportava dinheiro para o local.

O que dizem os investigados?

O governador Carlos Brandão negou as suspeitas e afirmou ser "revoltante" que o depoimento de um réu confesso seja utilizado para pautar o debate. Em nota, o gestor declarou que não há provas das acusações e questionou a credibilidade de Gilbson, que cumpre pena por assassinato.

Daniel Brandão, que é sobrinho do governador e ocupava a presidência do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), foi afastado do cargo por 180 dias pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Daniel é suspeito de envolvimento nos crimes e por estar presente em uma reunião onde ocorreu o homicídio em 2022.

Em nota, Daniel Brandão afirmou que está à disposição das autoridades e que comprovará sua "absoluta inocência".

Detalhes sobre pagamentos e silêncio

A defesa de Gilbson Júnior sustenta que ele recebeu pagamentos mensais para não revelar detalhes sobre o esquema. O valor acordado era de R$ 30 mil, mas, segundo o relato, apenas R$ 15 mil eram entregues mensalmente por meio de um motorista de Marcus Brandão, irmão do governador.

Para ajudar na identificação dos responsáveis, a família do preso entregou à PF uma foto da etiqueta de um maço de dinheiro do Banco do Brasil, tentando localizar a agência de origem do saque, e registros de contatos telefônicos.

O homicídio que originou a investigação ocorreu em agosto de 2022, no centro comercial Tech Office, em São Luís. Embora a Polícia Civil do Maranhão tenha tratado o caso inicialmente como briga pessoal, a PF apontou que o crime estaria relacionado a desentendimentos sobre a divisão de propinas de contratos públicos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.