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Investigação

Relatório da PF revela pedido para influenciar desistência em eleição de conselho de procuradores

Mensagens encontradas pela Polícia Federal mostram articulação para que candidato desistisse da disputa pelo comando do CNPG

Por Redação Diário Local

Um relatório da Polícia Federal (PF) revelou conversas de abril de 2024 que detalham uma articulação para influenciar a desistência de um candidato à presidência do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG). As mensagens indicam que o advogado Ciro Soares teria pedido ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, que convencesse um concorrente a abandonar a disputa em favor de Jarbas Soares Júnior.

As comunicações foram localizadas pela PF no celular do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O conteúdo tornou-se público nesta terça-feira (1), após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o levantamento do sigilo dos autos do processo.

A troca de mensagens ocorreu no dia 14 de abril de 2024, três dias antes da eleição para a presidência do conselho que reúne os procuradores-gerais do país. Na ocasião, Soares enviou mensagens a Vorcaro e pediu que o banqueiro mantivesse sigilo sobre o conteúdo que seria encaminhado.

Em um áudio registrado pela PF, o advogado relatou ao empresário ter solicitado diretamente a interlocução de Paulo Gonet. Segundo o relato de Soares, ele pediu a Gonet que o procurador-geral solicitasse ao candidato a retirada da candidatura. Soares afirmou no áudio que, após o contato, Gonet o informou que o adversário iria desistir.

No diálogo, Soares também enviou um texto que atribuiu a Jarbas Soares Júnior. Na mensagem, Jarbas agradecia a Georges Carlos Frederico Moreira Seigneur, então procurador-geral de Justiça do Distrito Federal e Territórios, pelo gesto de abrir mão da disputa, permitindo que Jarbas ocupasse a presidência por sete meses.

A eleição para o CNPG aconteceu no domingo (17) de abril de 2024, em reunião realizada na sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília. Na data, Jarbas Soares Júnior, que era então procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, foi eleito presidente do conselho por aclamação.

De acordo com registros oficiais dos Ministérios Públicos de Pernambuco e de Santa Catarina, Jarbas concorreu em chapa única. Documentos dessas instituições confirmam que a escolha ocorreu por consenso após o movimento de Georges Seigneur, que abriu mão da candidatura.

Os registros da época também apontam que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, participou da reunião de votação. A eleição por aclamação consolidou Jarbas Soares Júnior na liderança do colegiado que coordena os procuradores-gerais estaduais e da União.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.