TRE-RJ indefere candidatura de Val Ceasa à reeleição por suposta ligação com facção criminosa
Tribunal indeferiu registro do deputado por suspeita de relação com o Terceiro Comando Puro; partido poderá ser investigado.
Por Redação Diário Local
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu, por unanimidade, o registro da candidatura do deputado estadual Val Ceasa (PRD) à reeleição para a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A decisão ocorreu nesta terça-feira (1º) durante o julgamento de uma ação movida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que apura suposta relação do parlamentar com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).
A investigação aponta que o deputado teria ligações com o grupo que controla comunidades no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio. A decisão judicial ainda pode ser objeto de recurso nas instâncias superiores da Justiça Eleitoral.
Além da rejeição do registro, os desembargadores determinaram o envio de documentos ao MPE para verificar a atuação do Partido Renovação Democrática (PRD) na escolha de Val Ceasa como candidato. O objetivo é avaliar se a legenda foi utilizada para permitir o acesso de grupos criminosos às instituições públicas.
O desembargador Bruno Bodart defendeu a investigação sobre uma possível fraude à proibição constitucional. Segundo o magistrado, a análise deve verificar se o partido funcionou como instrumento para a entrada de organizações criminosas na política. A proposta de encaminhamento do caso ao MPE recebeu apoio dos demais integrantes do colegiado.
O desembargador Fábio Ribeiro Porto também destacou a responsabilidade das legendas na seleção de seus representantes. Ele ressaltou que o sigilo da investigação criminal envolvendo o parlamentar foi retirado em 18 de junho, enquanto o registro de candidatura foi formalizado pelo PRD apenas em 31 de julho.
O caso envolve suspeitas de que agentes políticos tentaram impedir a demolição de construções atribuídas a Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, apontado como líder do TCP. As obras estariam localizadas em Parada de Lucas, no Complexo de Israel, e incluíam uma estrutura chamada de “resort do Peixão”.
Em junho, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão no gabinete de Val Ceasa, na Alerj, e em outros endereços. O Ministério Público apura se o deputado e aliados usaram influência política para tentar obter informações sigilosas sobre a operação de demolição junto à Polícia Militar.
A defesa do parlamentar nega qualquer envolvimento com facções criminosas e afirma que menções feitas por terceiros não comprovam ligações ilícitas. Val Ceasa nega as acusações de que teria atuado para interromper as ações das autoridades no Complexo de Israel.
