Polícia Federal investiga pressão de Bernardo Rossi para beneficiar empresa de refino em Petrópolis
Investigação da Operação Sem Refino 2 aponta que ex-secretário de Meio Ambiente atuou para agilizar licenças ambientais.
Por Redação Diário Local
A Polícia Federal identificou indícios de que o ex-governador Cláudio Castro e o ex-secretário de Meio Ambiente, Bernardo Rossi, atuaram para favorecer a empresa Refit na concessão de licenças ambientais em Petrópolis. As informações fazem parte dos detalhes revelados pela Operação Sem Refino 2.
Segundo as investigações, houve uma tentativa de interferência direta nos processos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Mensagens trocadas entre o ex-prefeito de Petrópolis, Bernardo Rossi, e o ex-presidente do Inea, Renato Bussiere Jordão, indicam pressão sobre os técnicos da autarquia estadual.
Nas comunicações, Rossi demonstrou irritação com pareceres técnicos que, segundo ele, estariam "tumultuando o processo". A Polícia Federal aponta que Rossi e Jordão realizaram um movimento de "corpo a corpo" entre os integrantes da Comissão Estadual de Controle Ambiental para garantir a renovação de uma licença em maio de 2024 (20).
Como funcionaria o esquema de ocultação de bens?
A operação também investiga um suposto esquema para ocultar patrimônio utilizando empresas de terceiros. O objetivo seria registrar artigos de luxo e intermediar movimentações financeiras ligadas ao ex-governador Cláudio Castro em nome de outros envolvidos.
Um dos itens citados no inquérito é um barco registrado pela empresa AC Santos Participações e Empreendimentos, de propriedade do advogado Antônio Carlos dos Santos, assessor de Castro e Rossi. No entanto, a PF afirma que o barco pertenceria, na verdade, a Rossi e a Jordão.
A comprovação da propriedade teria ocorrido por meio da análise de celulares apreendidos há duas semanas (08). Mensagens da empresa BR Marinas sobre cobranças relativas ao barco foram direcionadas a Jordão, que tratou do assunto e informou Rossi imediatamente.
A investigação aponta que o conteúdo dessas mensagens demonstra que os dois eram os reais proprietários do equipamento. A Operação Sem Refino 2, deflagrada há cerca de 15 dias, tem como alvos Cláudio Castro, Bernardo Rossi e outros 16 investigados.
O desdobramento da operação ocorre em um momento de tensão política em Petrópolis, com questionamentos sobre outros programas da Secretaria de Meio Ambiente, como o projeto Limpa Rios, que envolveu a locação de maquinário para desassoreamento de rios na cidade.
