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Política

Relatório da PF aponta Davi Alcolumbre como provável alvo estratégico em investigação

Documento da Polícia Federal indica que o presidente do Senado é um possível alvo nas investigações sobre o caso Master

Por Redação Diário Local

Um relatório da Polícia Federal (PF) aponta que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), é um “provável alvo estratégico” das investigações sobre o caso Master. O documento foi utilizado nesta quinta-feira (3) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para fundamentar uma queixa contra o ministro André Mendonça.

Segundo a PF, a classificação de Alcolumbre como alvo decorre de sua força política e do controle que exerce sobre a pauta do Senado Federal. Esse poder é considerado estratégico, principalmente no que diz respeito ao processamento de pedidos de impeachment de ministros do STF.

A queixa de Moraes, apresentada ao presidente do Tribunal, Luiz Edson Fachin, sustenta que Mendonça teria cometido indícios de improbidade administrativa, crime de responsabilidade e abuso de autoridade. Em resposta, Fachin determinou que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República e Andrei Rodrigues se manifestem em cinco dias.

O relatório da PF indica que Mendonça teria o objetivo de ampliar sua influência no STF para favorecer as visões de mundo de seu grupo político. Para a investigação, o documento trabalha com uma hipótese de inteligência de que o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, poderia servir como uma "rota de acesso" do ministro ao senador Alcolumbre.

A hipótese relaciona-se à resistência que Alcolumbre demonstrou contra a indicação de Mendonça ao Supremo durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Na ocasião, o senador foi considerado um "grande empecilho" ao processo de nomeação. No entanto, a PF ressalta que o documento trata de uma hipótese e não afirma ter comprovado uso de investigações sobre Rueda para atingir o senador.

Como atua a investigação?

A Polícia Federal produziu relatórios de inteligência de 50 páginas para analisar a atuação de Mendonça em investigações sob sua relatoria. O material foi elaborado paralelamente às apurações e enviado a Alexandre de Moraes para análise crítica de decisões.

Os documentos focam principalmente na atuação do ministro nas operações Sem Desconto, que investiga fraudes em benefícios previdenciários, e Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao Banco Master. A produção desses relatórios antecedeu um movimento de Mendonça na última terça-feira (1).

Naquela data, o ministro retirou o sigilo de peças da investigação do Banco Master. Os documentos desprotegidos mostravam uma relação entre o fundador da instituição, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes.

Defesa de Alcolumbre e contexto político

A situação ocorre em um momento de tensão no Senado, onde cabe a Alcolumbre dar prosseguimento aos pedidos de impeachment contra Moraes. O número de solicitações contra o ministro do STF cresceu após Mendonça levantar o sigilo das investigações sobre o Banco Master.

Na quarta-feira (2), Alcolumbre usou o plenário da Casa Alta para defender Moraes. O presidente do Senado afirmou que tem sido alvo de "muitas agressões" por conta de suas posições e críticas relacionadas ao ministro do STF.

Durante seu discurso, Alcolumbre mencionou questionamentos sobre financiamentos de produções audiovisuais. Ele citou o caso de um pedido de aproximadamente US$ 24 milhões, equivalentes a R$ 134 milhões na cotação da época, para financiar o filme "Dark Horse".

O caso envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teria negociado o pagamento no início de 2025. O senador Alcolumbre utilizou o argumento para contextualizar as pressões que vem sofrendo no ambiente parlamentar.

Até o momento, os envolvidos devem cumprir o prazo estabelecido pela presidência do STF para prestar esclarecimentos sobre os fatos relatados no documento da Polícia Federal.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.