Samer Agi afirma que caso Banco Master é o maior escândalo de corrupção do Judiciário
Em entrevista, ex-juiz afirma que episódio causou erosão na reputação do STF e deve influenciar a disputa presidencial de 2026
Por Redação Diário Local
O advogado e ex-juiz Samer Agi afirmou que o Judiciário brasileiro perdeu a capacidade de se envergonhar. Em entrevista realizada nesta quinta-feira (3), Agi classificou o episódio envolvendo o Banco Master e autoridades do Judiciário como o maior escândalo de corrupção da história do Poder Judiciário.
Segundo a avaliação do ex-juiz, a situação representa a maior crise institucional enfrentada pela magistratura no país, por envolver ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades. Ele projetou que o desdobramento do caso deve influenciar o cenário da corrida presidencial de 2026.
Agi defendeu que as revelações sobre o caso provocaram uma "erosão de reputação" no STF que, em sua visão, será de difícil reversão do ponto de vista social. Ele criticou a postura da Corte ao realizar uma sessão de julgamentos no dia seguinte à divulgação das informações.
Para o ex-juiz, os ministros deveriam ter suspendido os trabalhos para tentar preservar a imagem da instituição. Ele afirmou que foi uma "violência contra a sociedade" a manutenção das atividades normais logo após a publicização do episódio.
Agi ressaltou que seu posicionamento não é uma condenação antecipada de nenhum dos envolvidos, mas um pedido para que as denúncias sejam investigadas. Para ele, a apuração é um passo necessário para garantir a credibilidade institucional.
Como o caso impacta as eleições?
De acordo com o ex-juiz, as revelações envolvendo o Banco Master podem intensificar o sentimento de rejeição ao atual governo e fortalecer discursos de mudança. Ele destacou que a associação do ministro Alexandre de Moraes ao episódio possui potencial para dificultar a disputa eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Agi explicou que a imagem de Moraes passou a ser associada ao governo federal após os atos de 8 de janeiro de 2023, o que criou uma ligação direta entre o ministro e o presidente. Essa percepção pode levar o eleitor a relacionar o episódio envolvendo o magistrado diretamente ao governo federal.
O cenário de crise institucional ocorre em um momento de mudanças nas intenções de voto para 2026. Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (3) mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula em um eventual cenário de segundo turno.
No levantamento, o senador Flávio aparece com 45%, enquanto o presidente Lula registra 44%. O resultado está dentro da margem de erro de 1,8 ponto percentual da pesquisa.
Já em um cenário de primeiro turno, os números apontam 37% de intenções de voto para Lula e 34% para Flávio Bolsonaro. O ex-juiz avaliou que, caso a tendência das pesquisas se mantenha, o senador poderá liderar também na primeira etapa da votação.
Para Samer Agi, ainda é difícil dimensionar o impacto eleitoral exato, mas o caso ocorre em meio a um contexto de insatisfação geral. Ele acredita que o episódio pode acelerar a redução da vantagem de Lula nas pesquisas.
O ex-juiz reiterou que a investigação é fundamental para que o Judiciário mantenha sua função de autoridade. A análise do impacto político segue vinculada ao desenrolar das apurações sobre as movimentações financeiras citadas.
