PF indica Alessandro Stefanutto por desvio de R$ 6 bilhões em esquema no INSS
Polícia Federal concluiu segundo inquérito da Operação Sem Desconto e apontou indiciamento de ex-presidente do órgão.
Por Redação Diário Local
A Polícia Federal (PF) concluiu, nesta quinta-feira (6), o segundo inquérito da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de desvio de valores de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O relatório aponta o indiciamento de seis pessoas, incluindo o ex-presidente do órgão, Alessandro Stefanutto.
De acordo com as investigações da corporação, o esquema consistia em realizar descontos mensais nos benefícios de segurados em nome de associações. A movimentação financeira do grupo teria chegado a R$ 6 bilhões, com um potencial de desvio de até R$ 6,3 bilhões.
A Polícia Federal investiga o cometimento de organização criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informação. No caso de Alessandro Stefanutto, os agentes apontam que ele recebia propinas mensais de R$ 250 mil, utilizando empresas de fachada para o recebimento dos valores.
O que dizem as investigações sobre os pagamentos?
Segundo o relatório da Polícia Federal, os repasses eram feitos por meio de empresas como a Stelo Advogados, além de outras utilizadas para ocultar os montantes. No primeiro inquérito, já divulgado em julho, os agentes identificaram que o ex-presidente era citado em trocas de mensagens sobre pagamentos rotineiros e confirmações de recebimento.
As mensagens interceptadas detalham conversas sobre o envio de valores e a utilização de intermediários para operacionalizar as entregas. Esse primeiro relatório, de 839 páginas, já havia indiciado Stefanutto e outras 47 pessoas relacionadas ao esquema.
Quem são os outros envolvidos?
Além de Stefanutto, o segundo inquérito indiciou outras cinco pessoas. Entre os nomes citados pela Polícia Federal estão o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Ribeiro; o ex-diretor André Fidelis; o ex-presidente da entidade, Aristides Veras dos Santos; a ex-secretária-geral da Contag, Thaisa Daiane; e a ex-secretária da associação, Edjane Rodrigues Silva.
O relatório final será encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR). Cabe ao órgão decidir se apresenta uma denúncia formal contra os envolvidos ou se solicita o arquivamento do caso.
Em nota, a defesa de Alessandro Stefanutto afirmou que o ex-presidente jamais praticou atos ilícitos no exercício de suas funções públicas. O advogado Fabrício Reis Costa declarou ainda que não teve acesso à íntegra do novo relatório da Polícia Federal, mas que a análise dos autos demonstrará a inexistência de conduta criminosa.
