PP e União Brasil rompem com Davi Alcolumbre para disputa pela presidência do Congresso
Senador tenta recondução oferecendo cargos, mas federação apoiará Flávio Bolsonaro na disputa pelo comando do Legislativo
Por Redação Diário Local
A federação formada pelos partidos PP e União Brasil decidiu não apoiar a recondução de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência do Congresso Nacional. O senador, que integra o União Brasil, viu o apoio de sua própria legenda ser transferido para o grupo liderado por Flávio Bolsonaro (PL).
O movimento ocorre devido ao desalinhamento político de Alcolumbre, que tem estabelecido alianças com o presidente Lula. Enquanto o senador busca interlocução com o Governo Federal, as lideranças de seu partido seguem em uma direção oposta, aproximando-se da oposição.
Diante do risco de perder o comando da Casa no próximo ano, Alcolumbre tem tentado cooptar senadores recém-eleitos para garantir votos em sua favor. Segundo apuração, o parlamentar oferece espaços privilegiados em gabinetes e a presidência de comissões parlamentares para assegurar o apoio de novos membros.
As comissões são os colegiados responsáveis por analisar projetos de lei antes que eles sigam para votação em plenário. A estratégia busca mitigar o isolamento político causado pela decisão da federação de não apoiar sua permanência no cargo.
A federação União Progressista deve iniciar o ano de 2027 com 12 senadores, distribuídos igualmente entre o PP e o União Brasil, com seis integrantes de cada legenda. Caso Alcolumbre decida disputar a presidência de forma avulsa, sem o respaldo partidário, a recondução torna-se ainda mais difícil.
Nos últimos períodos, o senador realizou movimentações que facilitaram a agenda do governo federal no Legislativo. Entre as ações, destaca-se a pautação da discussão sobre a escala de trabalho 6x1 e a retirada de pauta da PEC da Segurança Pública.
A retirada da proposta de segurança pública evitou a aprovação da maioridade penal, tema que gerava constrangimento ao Partido dos Trabalhadores (PT) e fazia parte das agendas da oposição. Anteriormente, o senador também foi responsável por segurar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
No cenário atual, parlamentares alertam que possíveis confrontos entre o Judiciário e o Congresso, como em questões envolvendo emendas parlamentares, podem influenciar o comando da Casa. O receio é que o desgaste resulte na eleição de um presidente de extrema direita em vez de um perfil moderado.
