Igreja Católica explica relação de unidade entre Antigo e Novo Testamento
A Igreja Católica defende que os dois Testamentos se iluminam reciprocamente e formam um único plano de revelação divina.
Por Redação Diário Local
A Igreja Católica defende que existe uma unidade profunda entre o Antigo e o Novo Testamento, fundamentada no plano divino e na Revelação. Para a instituição, os dois conjuntos de escritos se iluminam reciprocamente e constituem a verdadeira Palavra de Deus.
A lista oficial desses escritos sagrados é denominada Cânon. O conjunto é composto por 46 livros no Antigo Testamento e 27 livros no Novo Testamento, todos recebidos e venerados pela Igreja como obras inspiradas.
A doutrina católica estabelece que o Antigo Testamento prepara o Novo, ao passo que o Novo dá cumprimento ao Antigo. Essa relação de complementaridade é reforçada pela visão de que o Novo está contido no Antigo e o Antigo é desvendado no Novo.
A Igreja também mantém um posicionamento contra a ideia de que o Novo Testamento tornaria o Antigo obsoleto. Historicamente, o combate a essa visão foi direcionado a correntes como o marcionismo, que rejeitava as escrituras antigas.
Embora contenham elementos transitórios, os livros do Antigo Testamento são vistos como testemunhos da pedagogia divina do amor de Deus. Eles abrigam doutrinas sobre a divindade, sabedoria sobre a vida humana e tesouros de preces.
Qual o papel do Novo Testamento?
O Novo Testamento é apresentado como o local onde a Revelação divina manifesta seu poder de forma eminente. O ponto central desses escritos é a figura de Jesus Cristo, abrangendo seus atos, ensinamentos, paixão e glorificação.
Além da vida de Cristo, o Novo Testamento também relata os primórdios da Igreja sob a ação do Espírito Santo. Dentro dessa estrutura, os evangelhos são considerados o coração de todas as Escrituras.
Para a prática da fé, os escritos do Novo Testamento transmitem a verdade definitiva da Revelação. Textos de figuras como Santa Teresinha reforçam a importância do Evangelho como fonte de luz e sentidos para a vida espiritual.
Como se dá a interpretação das Escrituras?
Segundo as diretrizes do Concílio Vaticano II, o ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus é confiado ao Magistério da Igreja. Esse mandato é exercido em nome de Jesus Cristo e tem como objetivo servir à própria Palavra.
O Magistério não se posiciona acima da Palavra de Deus, mas atua para ensinar o que foi transmitido. Com a assistência do Espírito Santo, a autoridade deve ouvir, guardar e expor fielmente o depósito da fé.
O entendimento institucional é que a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja formam um conjunto indissociável. Segundo o desígnio divino, os três elementos se unem e se associam sob a ação do Espírito Santo.
Essa integração é considerada essencial para a manutenção da fé e para a salvação das almas. A doutrina afirma que um desses pilares não se mantém plenamente sem a presença e a atuação dos outros dois.
A força da Palavra de Deus é descrita pelo Catecismo da Igreja Católica como apoio, vigor e solidez para os fiéis. Por essa razão, a instituição enfatiza a necessidade de que os cristãos tenham um largo acesso às Escrituras.
