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Cidadania

Discursos contra o voto feminino no Brasil exibem continuidade de ataques históricos

Estudiosas apontam que discursos atuais questionam direitos garantidos pela Constituição e ecoam rejeição do sufrágio vista em 1891

Por Redação Diário Local

Discursos contra o voto feminino no Brasil exibem continuidade de ataques históricos

Discursos que questionam o direito ao voto de mulheres no Brasil apresentam uma continuidade histórica de ataques baseados em conceitos de misoginia. Para estudiosas do tema, o que se observa hoje não é o ineditismo das falas, mas a manutenção de uma lógica que busca restringir o avanço da cidadania feminina.

O cenário atual de 2026 mostra as mulheres como maioria no eleitorado. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), existem 83.877.126 brasileiras aptas a votar, enquanto o número de homens é de 74.845.001. Apesar da representatividade, manifestações que contestam o sufrágio feminino voltaram a ganhar força.

A professora de direito Fernanda Abreu, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), explica que qualquer discurso que questione o voto feminino viola o Artigo 14 da Constituição Federal de 1988, que estabelece o sufrágio universal sem distinção de sexo. Ela pontua ainda que tais ataques ferem o Artigo 5º, que veda a discriminação.

O registro histórico de resistência

A trajetória de negação do voto feminino no Brasil possui raízes profundas. Na primeira Constituição da República, em 1891, o sufrágio feminino foi rejeitado sob o argumento de que a mulher era intelectualmente incapaz para a vida pública e deveria se restringir ao ambiente doméstico.

A resistência foi institucionalizada por meio de normas jurídicas. O Código Eleitoral de 1932 chegou a prever a necessidade de autorização do marido para que mulheres casadas exercessem o direito ao voto. Essa exigência só foi removida do texto final após intensa mobilização das sufragistas.

A pesquisadora Cibele Tenório, da Universidade de Brasília (UnB), destaca que a recorrência de ataques em mais de um século reflete uma estrutura de machismo. Ela ressalta que as sufragistas do século 20 utilizaram estratégia e inteligência para garantir o direito que é exercido hoje pelas mulheres.

Perfil do eleitorado e intimidação

Em 2026, as mulheres compõem 51,5% da população brasileira. No que diz respeito ao nível de instrução, o grupo feminino apresenta índices superiores aos dos homens: 29,28% das eleitoras possuem o ensino médio completo, contra 26,35% dos homens, e 13,08% concluíram o ensino superior, frente a 9,1% do público masculino.

Quanto à composição racial das eleitoras, o TSE aponta que 51,76% são pardas, 35,71% são brancas e 10,96% são pretas. Além disso, 50% das mulheres declararam-se solteiras.

Para as pesquisadoras, os ataques atuais podem funcionar como uma estratégia de intimidação política. O objetivo seria gerar incômodo ou desestímulo à participação das mulheres na vida pública, o que representa um risco para o fortalecimento dos direitos conquistados.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.