Apenas 34% das falas de políticos checadas foram totalmente verdadeiras, aponta relatório
Estudo da Agência Lupa revela que a maioria das declarações de atores políticos contém exageros, omissões ou falsidades.
Por Redação Diário Local
Apenas 34% das declarações feitas por políticos nos últimos cinco ciclos eleitorais foram totalmente verdadeiras, segundo o relatório "Anatomia da Desinformação Eleitoral". O estudo, divulgado pela Agência Lupa nesta segunda-feira (27), aponta que as demais falas checadas continham algum tipo de falsidade, omissão ou exagero.
O levantamento analisou 3.080 declarações de 237 atores políticos pertencentes a 37 partidos diferentes, no período entre 2016 e 2024. De acordo com os pesquisadores, as estratégias de desinformação tornaram-se mais sofisticadas, utilizando a manipulação de conteúdos verdadeiros para gerar interpretações distorcidas, prática conhecida como "má informação".
Quem lidera o ranking de falas falsas?
O relatório apresenta um ranking de políticos que tiveram, no mínimo, 30 frases analisadas. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) registrou a maior proporção de declarações falsas, com 43,2%. Na sequência, aparecem o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel, com 38,9%, e o ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella, com 36,2%.
No espectro da esquerda e centro-esquerda, a ex-deputada federal Manuela d'Ávila (PSOL) aparece com 29% de falas falsas. O presidente Lula (PT) ocupa a sétima posição, com 26% de declarações incorretas. Segundo o estudo, o dado questiona a hipótese de que a desinformação estaria concentrada apenas na direita.
O levantamento detalha que os estilos de distorção variam conforme o ator. O estudo cita que Bolsonaro costumava utilizar falsidades principalmente em dados estatísticos e afirmações sobre gestão, enquanto Lula apresentava falas ligadas à autoria ou pioneirismo de políticas públicas.
Mudança nos alvos e plataformas
A pesquisa identificou uma mudança no foco dos boatos virais — histórias sem autores conhecidos. Enquanto antes o alvo eram candidatos e propostas, 73% dos conteúdos virais verificados desde 2016 buscaram desacreditar o sistema eleitoral, incluindo as urnas eletrônicas e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Outro ponto de atenção é a migração do fluxo de desinformação. Em 2018, o Facebook era a principal plataforma de difusão de boatos anônimos, respondendo por 76,5% das verificações. Em 2024, o WhatsApp estava presente em 100% dos casos identificados pela agência, indicando um deslocamento para ambientes mais fechados e de difícil monitoramento.
Os pesquisadores também alertaram para o potencial de impacto da inteligência artificial no pleito de 2026. Como resposta, o TSE estabeleceu regras que exigem a identificação de conteúdos produzidos por IA e restringem a publicação de material sintético em períodos próximos à votação.
