Reprovação ao trabalho de ministros do STF atinge 47% dos brasileiros, aponta Datafolha
Levantamento indica que a taxa de avaliação negativa do Supremo Tribunal Federal é a maior desde o início da série histórica em 2019.
Por Redação Diário Local
A reprovação ao trabalho dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu 47% dos brasileiros, segundo pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado (27). O índice representa a taxa mais alta desde o início da série histórica do levantamento, em 2019.
O estudo ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios brasileiros entre os dias 22 e nesta quarta-feira (23). De acordo com o levantamento, apenas 18% dos entrevistados classificam o desempenho dos magistrados como ótimo ou bom, enquanto 31% consideram a atuação do tribunal regular e 4% não opinaram.
A pesquisa revelou disparidades significativas de percepção conforme a inclinação política dos entrevistados. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 32% avaliam o trabalho dos ministros como ótimo ou bom. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), apenas 6% têm essa visão positiva.
A avaliação negativa também apresenta grande diferença entre os grupos. No grupo de eleitores de Flávio Bolsonaro, a percepção de que o desempenho do STF é ruim ou péssimo é de 69%, contra 24% entre os eleitores de Lula. Sobre o impacto político, 33% dos brasileiros acreditam que a atuação do Supremo prejudica mais a candidatura de Flávio Bolsonaro do que a de Lula, que teve 23% de menções nesse sentido.
O levantamento também questionou a aceitação de condutas específicas de magistrados no exercício do cargo. A prática mais reprovada pelos entrevistados é o julgamento de processos cujos advogados sejam parentes do ministro, considerada inaceitável por 88% da população. Em seguida, 85% reprovam o aceite de convites para eventos pagos por empresas que possuem ações no tribunal.
Outras condutas também registraram rejeição da maioria, embora com percentuais menores. Ser sócio de empresa privada durante o mandato e receber pagamentos por palestras de empresas privadas foram reprovados por 78% dos consultados. Além disso, 71% desaprovam que ministros deem entrevistas ou opiniões públicas sobre processos que estejam em julgamento.
Sobre a possibilidade de criação de novas regras, 45% dos brasileiros aprovam a implementação de um código de ética específico para os ministros do STF. Em contrapartida, 33% dos entrevistados se opõem à medida.
O estudo apresenta margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com um grau de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00304/2026.
