Ricardo Salles defende impeachment de ministros do STF se houver crime de responsabilidade
Candidato ao Senado por São Paulo critica vínculos partidários em indicações para a Corte e critica comando do PL.
Por Redação Diário Local
O candidato ao Senado por São Paulo, Ricardo Salles (Novo), defende a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) caso sejam comprovados crimes de responsabilidade. Segundo o deputado, o procedimento deve seguir o rito previsto na legislação, garantindo ampla defesa, o contraditório e o devido processo legal.
Em entrevista concedida na última segunda-feira (14), Salles afirmou que, se as investigações concluírem pela existência de crime de responsabilidade, a consequência deve ser a punição prevista em lei. O parlamentar argumentou que o impeachment de autoridades não deve ser visto como algo traumático, citando o histórico de destituições de presidentes da República no Brasil.
Sobre a renovação das cadeiras no STF, que contará com novas indicações em breve devido a aposentadorias compulsórias, o candidato sugeriu que os indicados tenham idade mínima de 60 anos. Para ele, essa medida ajudaria a solucionar discussões sobre a duração dos mandatos, considerando que a aposentadoria obrigatória ocorre aos 75 anos.
Salles defendeu ainda que o Senado adote critérios para barrar indicações de pessoas com histórico de militância político-partidária. O deputado argumentou que o envolvimento com partidos, de qualquer espectro, pode afetar a imparcialidade dos juristas na Corte. Ele defendeu que a instituição deveria focar na indicação de juristas sem vínculos partidários e ressaltou a importância da presença feminina na composição do Supremo.
Relação com o PL e críticas ao comando da legenda
O deputado também comentou o seu afastamento do Partido Liberal (PL) e as razões que o levaram a se filiar ao Novo. Salles criticou a gestão de Valdemar Costa Neto, definindo o comando da legenda como um "centrão valdemarista". Segundo o parlamentar, o descontentamento surgiu após a cúpula do PL apoiar Ricardo Nunes na disputa pela prefeitura de São Paulo em 2024, em vez de viabilizar sua própria candidatura.
Ao tratar de questões envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Salles classificou a situação como uma "vorcarização da política brasileira". Ele afirmou que o ex-banqueiro teria buscado estabelecer relações com diferentes grupos, independentemente de partido ou filosofia política.
Cenário eleitoral e propostas
Sobre o pleito presidencial, Salles declarou que seu voto no primeiro turno será em Romeu Zema (Novo). Em um eventual segundo turno entre Flávio Bolsonaro e o atual presidente Lula, o candidato afirmou que apoiará o senador do PL.
A entrevista também abordou temas como segurança pública, equilíbrio fiscal e a regulamentação da inteligência artificial, área na qual o deputado se posicionou de forma contrária. Salles, que já ocupou a pasta do Meio Ambiente, reforçou que pretende manter posicionamentos firmes em temas polêmicos, como a redução da maioridade penal e responsabilidade fiscal.
