Zema afirma que tribunais brasileiros fazem 'mais política do que justiça'
Candidato à Presidência defendeu anistia para condenados pelos atos de 8 de janeiro e manifestou confiança nas urnas eletrônicas
Por Redação Diário Local
O candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), afirmou, nesta segunda-feira (24), que os tribunais brasileiros estão realizando uma atuação mais política do que propriamente judicial. A declaração foi feita durante entrevista concedida ao Jornal Nacional para tratar de julgamentos no Supremo Tribunal Federal (STF).
Zema comentou os processos no STF relacionados aos atos de 8 de janeiro e à tentativa de golpe de Estado. O candidato classificou as condenações como resultado de um julgamento de natureza política e defendeu a concessão de anistia para os envolvidos.
O candidato propôs que, caso seja eleito, buscaria uma anistia ou, ao menos, a realização de novos julgamentos por um tribunal de caráter estritamente judicial. Segundo Zema, o cenário observado no Brasil foi de perseguição.
Sobre os atos de depredação e vandalismo, o candidato afirmou que os episódios devem ser punidos conforme a lei. No entanto, ele questionou a caracterização dos eventos como uma tentativa de golpe de Estado.
Zema argumentou que, embora tenha ocorrido vandalismo, não houve movimento acompanhado de disparos de tiros. O candidato defendeu que a punição deve ser focada nos atos de destruição cometidos.
A proposta de anistia é um tema recorrente na campanha do candidato. Em julho, ele já havia defendido um novo julgamento para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), embora não tenha citado o nome de Bolsonaro nominalmente durante a entrevista desta segunda-feira (24).
Bolsonaro foi condenado pela 1ª Turma do STF a 27 anos e 3 meses de prisão. A Corte entendeu que o ex-presidente liderou uma organização criminosa com o objetivo de permanecer no poder após o resultado das eleições de 2022.
É importante notar que a concessão de anistia não pode ser feita diretamente pelo presidente da República. De acordo com a Constituição Federal, o processo depende de uma lei aprovada pelo Congresso Nacional e posterior sanção do chefe do Executivo.
Além disso, não é competência do presidente da República determinar a realização de novos julgamentos ou a escolha do tribunal responsável por processos judiciais em curso.
Ao ser questionado sobre a integridade do sistema eleitoral, Zema declarou que confia nas urnas eletrônicas, pelo sistema que o elegeu em mandatos anteriores. O candidato se definiu como "totalmente democrata".
Apesar de confiar no sistema, o candidato sugeriu que as urnas poderiam ser melhoradas. Zema defendeu a adoção de um comprovante impresso do voto como forma de aprimoramento do mecanismo.
Como está a situação de Zema nas pesquisas?
Em Minas Gerais, estado onde governou entre 2019 e 2026, o candidato aparece em terceiro lugar nas intenções de voto. O desempenho foi detalhado em levantamento do Datafolha divulgado no sábado (22).
Segundo a pesquisa, Zema registrou 8% ou 10% das intenções de voto, dependendo do cenário de primeiro turno considerado. O levantamento ouviu 1.204 eleitores de Minas Gerais.
O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lidera os dois cenários analisados em território mineiro. Lula registrou 37% e 36% das intenções de voto, respectivamente.
O estudo do Datafolha possui margem de erro de 3 pontos percentuais. A pesquisa reflete o cenário de intenção de voto para o pleito presidencial de 2026.
