Ronaldo Caiado defende cortes em supersalários e emendas para reduzir gastos da União
Candidato à Presidência afirma que fará auditoria para identificar áreas de corte e critica transparência de dados atuais
Por Redação Diário Local
O candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), defendeu nesta segunda-feira (31) a realização de um ajuste fiscal focado na redução de supersalários, emendas impositivas e subsídios. Durante entrevista, o candidato afirmou que pretende conter as despesas da União caso seja eleito.
Caiado detalhou que, em relação ao salário mínimo, pretende respeitar e reajustar a inflação, mas estabeleceu um limite para o crescimento dos gastos: ele aceitaria despesas até 50% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Como fontes prioritárias para o corte, ele citou os salários de altos escalões, as emendas impositivas — que somam mais de R$ 60 bilhões — e programas que recebem incentivos fiscais.
Por que o plano de cortes ainda não foi detalhado?
Questionado sobre quais áreas específicas perderiam subsídios, o candidato afirmou que ainda não é possível definir os setores. Segundo Caiado, a falta de clareza deve-se ao fato de os dados abertos disponíveis serem manipulados, o que compromete a previsão das contas públicas.
O candidato argumentou que exigir um detalhamento imediato de cada corte seria basear-se em "achismo". Ele prometeu que, se eleito, realizará uma auditoria para identificar as áreas que sofrerão os cortes e garantir que os incentivos fiscais estejam sendo usados corretamente para gerar emprego e arrecadação.
Proposta para o agronegócio e seguro rural
No que diz respeito ao setor agropecuário, Caiado respondeu a questionamentos sobre eventuais cortes em incentivos. Ele defendeu a necessidade de ampliar o apoio ao seguro rural e sugeriu buscar parcerias com a iniciativa privada para custear a medida.
A proposta envolve a criação de um caixa inicial de cerca de R$ 20 bilhões, formado por parcerias entre o governo federal, estados e setor privado. O objetivo seria garantir sustentabilidade ao setor, considerando que o Plano Safra 2026/2027 prevê R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Articulação política e apoios
Sobre a dinâmica interna do PSD, o candidato reconheceu a falta de unanimidade em torno de sua candidatura e elogiou a postura do presidente do partido, Gilberto Kassab, por lançar uma candidatura própria. Caiado afirmou que possui apoios em estados como Rio Grande do Sul e Paraná.
O candidato também citou alianças regionais em São Paulo, com o governador Tarcísio de Freitas, no Rio de Janeiro, com Eduardo Paes, em Minas Gerais, com Mateus Simões, na Bahia, com ACM Neto, e no Rio Grande do Sul. Sobre a movimentação de aliados em outras frentes, ele afirmou que o eleitorado não é verticalizado.
