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Política

Saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher gera incerteza em candidaturas femininas

Ausência de comando no braço feminino do partido preocupa pré-candidatas sobre distribuição de recursos e expansão de diretórios

Por Davy Albuquerque

A saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher, ocorrida em 1º de julho, gerou incertezas entre pré-candidatas do partido sobre a distribuição de recursos de campanha e a continuidade de projetos de expansão feminina. O afastamento deixa um vácuo de liderança que era utilizado para cobrar os dirigentes estaduais pela destinação de verbas para mulheres.

O plano de expansão da ex-primeira-dama previa a criação de diretórios estaduais e a nomeação de lideranças para organizar núcleos municipais. O objetivo era aumentar o número de candidatas e garantir que as cotas de recursos e registros não fossem apenas um cumprimento formal da lei, mas uma forma de ampliar a representatividade política feminina.

Em 2024, essa estratégia resultou em um aumento expressivo de vereadoras do PL em vários estados brasileiros. Para viabilizar o crescimento, Michelle pressionava os presidentes dos diretórios estaduais para assegurar uma destinação razoável de verbas para as candidaturas femininas.

Com o afastamento, aliadas do grupo relatam a sensação de que o órgão ficou sem uma instância legítima de cobrança. A ausência de um comando centralizado dificulta a pressão sobre os dirigentes estaduais para o cumprimento das metas estabelecidas anteriormente.

Uma das últimas determinações de Michelle antes de deixar o cargo foi o pedido para que as presidentes estaduais formulassem listas de potenciais candidatas para as eleições de 2026. Embora os nomes tenham sido enviados aos presidentes dos diretórios, a continuidade desses projetos agora enfrenta incertezas internas.

O que motivou a saída de Michelle Bolsonaro?

A decisão de deixar a presidência do braço feminino do partido ocorreu após uma reunião com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. O movimento aconteceu após a repercussão de um vídeo, publicado em 24 de junho, no qual Michelle relata ter sido maltratada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).

A saída também ocorreu em um período de desconforto no eleitorado feminino, após um influenciador digital fazer comentários sobre o comportamento das mulheres no voto. O senador Flávio Bolsonaro chegou a pedir desculpas pela fala do apoiador em um evento com mulheres conservadoras.

Antes do afastamento, o presidente nacional do PL havia afirmado às diretoras dos núcleos estaduais que daria andamento aos acordos firmados por Michelle Bolsonaro. Apesar da promessa, o cenário atual é de dúvida sobre como os recursos e as candidaturas planejadas para 2026 serão geridos.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.