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Justiça

Alexandre de Moraes dá prazo para defesa de Bolsonaro explicar divulgação de carta

Ministro do STF suspendeu visitas de Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias após divulgação de manuscrito em redes sociais

Por Davy Albuquerque

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem até esta quarta-feira (15/7) para responder a questionamentos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o possível descumprimento de medidas cautelares. O magistrado indaga se Bolsonaro tinha conhecimento da divulgação de uma carta escrita por ele e lida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em redes sociais.

Na decisão publicada nesta segunda-feira (14/7), Moraes determinou a suspensão das visitas de Flávio ao pai pelo período de 90 dias. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária após ser condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar organização criminosa em tentativa de golpe de Estado em 2022.

O caso ganhou novos desdobramentos após o senador tornar público, no último sábado (11/7), um manuscrito redigido por Jair Bolsonaro. No texto, o ex-presidente aponta o filho como seu porta-voz na disputa eleitoral deste ano.

Por que as visitas foram suspensas?

O ministro Alexandre de Moraes afirmou que o senador Flávio Bolsonaro é reincidente no descumprimento de ordens do STF. Segundo o magistrado, o parlamentar já havia violado medidas cautelares em agosto de 2025, ao transmitir por redes sociais uma fala de Bolsonaro feita por telefone durante ato político no Rio de Janeiro.

Com a nova determinação, o contato entre pai e filho está proibido até outubro, data que ocorre após o primeiro turno das eleições de 2026. Além do questionamento sobre a carta, Moraes acionou o Ministério Público Eleitoral (MPE) para apurar se o parlamentar, que é pré-candidato à Presidência da República, cometeu propaganda eleitoral antecipada.

O que diz a defesa de Flávio Bolsonaro?

Em live realizada na noite de segunda-feira (13/7), o senador Flávio Bolsonaro negou que o ex-presidente tenha solicitado ou autorizado a divulgação do manuscrito. O parlamentar também criticou a decisão judicial, alegando que a suspensão das visitas representa uma tentativa de interferência no processo eleitoral.

Atualmente, Jair Bolsonaro está proibido de utilizar redes sociais, inclusive por meio de terceiros, e possui autorização de visitas condicionada ao STF. O ex-presidente foi transferido do Complexo Penitenciário da Polícia Militar para o regime domiciliar devido a questões de saúde.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.