Analista critica ideia de selo de acurácia para institutos de pesquisa sugerida por presidente do TSE
Especialista contesta viabilidade técnica de criar certificação de precisão para levantamentos eleitorais proposta pelo presidente do TSE.
Por Davy Albuquerque
Uma proposta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, de criar um "selo de acurácia" para institutos de pesquisa que apresentarem resultados precisos em eleições foi alvo de críticas por falta de fundamentação técnica. O questionamento aponta que não há critérios científicos para definir o período que seria usado para atestar tal precisão.
De acordo com a análise, a ideia de instituir uma certificação para empresas que mais acertarem os resultados eleitorais é considerada inviável. A crítica ressalta que a definição de um intervalo de tempo para validar o acerto dos institutos carece de base científica e racionalidade.
O argumento central é que levantamentos eleitorais, quando realizados com rigor, funcionam apenas como um retrato momentâneo do cenário político. Segundo o entendimento exposto, as pesquisas captam o que poderia acontecer se o pleito fosse realizado no dia em que o entrevistado responde à enquete, sempre respeitando a margem de erro.
A análise reforça que pesquisas sérias não possuem caráter preditivo, ou seja, não servem para prever o futuro, mas para registrar o estado atual das opiniões. Por essa razão, a tentativa de premiar a acurácia seria, na visão do especialista, uma tese sem sustentação metodológica.
Desafios e integridade no setor de pesquisas
O setor de pesquisas eleitorais enfrenta desafios relacionados à integridade dos dados. Entre os problemas citados estão a existência de levantamentos autofinanciados, pesquisas encomendadas por partidos e dados colhidos com filtros pré-determinados para induzir resultados específicos.
Há também o alerta sobre a atuação de analistas que extrapolam suas funções para oferecer orientações a candidatos ou grupos de interesse. Esse cenário de falta de isenção é apontado como um fator que compromete a confiança em parte dos levantamentos realizados no país.
A crítica sugere que, em vez de buscar uma certificação de acertos, o foco das autoridades deve ser a fiscalização do processo. O papel de órgãos como o TSE seria acompanhar rigorosamente as metodologias aplicadas pelas empresas do setor.
A recomendação final é que o acompanhamento institucional se concentre na qualidade das perguntas formuladas e na transparência da tabulação de dados. Dessa forma, o combate a práticas irregulares ocorreria por meio do debate e da fiscalização técnica das etapas de coleta e processamento.
