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Investigação

STF retira sigilo de documento que aponta deputado como possível sócio de produtora

Ministro Flávio Dino retirou o sigilo de inquérito que investiga trama envolvendo o deputado e a produtora de Dark Horse.

Por Redação Diário Local

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de um inquérito que investiga uma suposta arquitetura criminosa envolvendo o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a produtora responsável pelo filme Dark Horse no Brasil. A decisão torna público um documento que aponta o parlamentar como figura central em uma estrutura de negócios ligada à produtora Go Up Entertainment.

A investigação analisa um organograma manuscrito que foi encontrado em uma pasta durante uma operação da Polícia Civil de São Paulo, realizada na segunda-feira (1). O documento foi localizado na residência de Karina Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e proprietária da produtora brasileira de Dark Horse.

No referido papel, escrito à mão, consta a identificação de um indivíduo chamado “Mário” como “sócio” da unidade norte-americana da empresa, a Go Up USA. Apesar da anotação, o inquérito ainda não apresenta um relatório da Polícia Civil que especifique o significado exato de todas as informações e nomes contidos no organograma.

Embora o deputado não ocupe um cargo formal na estrutura que financiou a produção cinematográfica, o ministro Flávio Dino apontou que ele exerceria um papel de liderança na suposta organização. A investigação busca entender o funcionamento da Go Up Entertainment, que possui uma versão brasileira comandada por Karina Gama e uma sede nos Estados Unidos, liderada pelo sócio majoritário Michael Davis.

De acordo com apurações da Polícia Federal (PF), o fluxo financeiro envolve o uso de emendas parlamentares e movimentações de pessoa física. O parlamentar destinou recursos ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida por Karina Gama, e a PF identificou que parte desse montante chegou à produtora Go Up por meio de fornecedores.

Além dos recursos institucionais, o deputado realizou transferências de sua conta pessoal que somam mais de R$ 600 mil para a conta da produtora. A investigação aponta que parte desse valor teria sido utilizada pela empresa para quitar faturas do cartão de crédito do parlamentar.

No âmbito profissional do projeto, Mário Frias também consta como produtor executivo do filme. A Polícia Federal identificou ainda que pelo menos uma funcionária do gabinete do deputado foi alocada para trabalhar na produção do longa-metragem.

O organograma manuscrito também faz menções a outros três CNPJs sob controle de Karina Gama. Um deles é o próprio Instituto Conhecer Brasil (ICB), que possui um contrato de R$ 108 milhões firmado com a prefeitura de São Paulo.

Outras movimentações registradas no documento envolvem a empresa Go7. Segundo as anotações, a Go7 teria recebido R$ 1 milhão de um fornecedor do ICB e, posteriormente, repassado R$ 2,5 milhões para a Go Up.

O documento também detalha o papel da Academia Nacional de Cultura (ANC), outra empresa controlada por Karina Gama. No período de gravação do filme, a ANC teria recebido R$ 6,1 milhões provenientes de fornecedores do Instituto Conhecer Brasil.

A arquitetura investigada conecta as movimentações entre o instituto, as empresas de produção e o uso de verbas parlamentares. O foco central do STF, após a retirada do sigilo, é esclarecer a relação entre o deputado e a gestão financeira dessas entidades.

Até o momento, a Polícia Civil e a Polícia Federal seguem com as diligências para compreender a conexão entre os repasses feitos pelo ICB e os gastos da produtora. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal após a intervenção do ministro Flávio Dino.

As investigações buscam confirmar se houve o desvio de finalidade no uso das emendas enviadas pelo parlamentar ao Instituto Conhecer Brasil. A análise do organograma é peça-chave para entender a suposta liderança de Mário Frias na estrutura financeira citada.

O caso segue sob análise jurídica e policial para determinar a responsabilidade dos envolvidos nas movimentações entre os CNPJs citados. Os detalhes sobre o papel da Go Up USA e as anotações de "sócio" permanecem como ponto de interesse do inquérito em São Paulo.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.