Ex-diretor do Banco Central afirmou que sabia de fraude no Banco Master desde dezembro de 2024
Paulo Sérgio Neves de Souza prestou depoimento à Polícia Federal sobre suspeitas de irregularidades que antecedem o envio do caso ao MPF.
Por Redação Diário Local
O ex-diretor do Banco Central (BC), Paulo Sérgio Neves de Souza, afirmou à Polícia Federal que tinha conhecimento de suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master desde dezembro de 2024. O depoimento foi prestado após o ex-executivo ser alvo de busca e apreensão durante a segunda fase da operação Compliance Zero, que investiga irregularidades na instituição financeira.
De acordo com o relato apresentado às autoridades, Paulo Sérgio só formalizou as suspeitas sobre as condutas do banco após ser provocado por Ailton de Aquino, que era o então chefe de fiscalização do BC, em outubro de 2024. O ex-diretor ocupava o cargo de chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), área responsável pela fiscalização de instituições financeiras.
Apesar de o ex-diretor sustentar que já sabia das suspeitas desde dezembro de 2024, o cronograma de repasses de informações aponta um intervalo significativo. A comunicação formal do caso ao Ministério Público Federal (MPF) ocorreu apenas em 17 de novembro de 2025.
O depoimento de Paulo Sérgio foi realizado nesta quinta-feira (10), após as medidas cautelares da operação. A investigação busca entender o papel dos ex-dirigentes nas irregularidades apontadas no setor bancário.
Suspeita de pagamentos e recebimentos
A Polícia Federal investiga se Paulo Sérgio e Belline Santana, que também ocupou a chefia do Desup, teriam recebido valores do Banco Master. Segundo os dados da investigação, os repasses seriam de R$ 4,5 milhões para o ex-diretor e R$ 13,5 milhões para Belline.
Além dos valores citados, os investigadores obtiveram mensagens que podem reforçar a linha de investigação. No material, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, orienta seu cunhado a ter cautela ao tratar diretamente com Paulo Sérgio.
A operação Compliance Zero segue apurando o envolvimento de agentes públicos e executivos do setor privado no caso. O foco central são as possíveis irregularidades e a influência de repasses financeiros nas atividades de fiscalização do Banco Central.
O caso agora segue sob análise da Polícia Federal e do Ministério Público Federal para determinar a responsabilidade dos envolvidos nas suspeitas de fraude e corrupção.
