TSE diz que embaixada dos EUA procurou corte para tratar de visita de técnicos norte-americanos
Tribunal informou que não recebeu detalhes sobre o encontro e que o recesso do Judiciário impediu o agendamento da reunião.
Por Redação Diário Local
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que a área internacional da Corte foi procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar de uma possível visita de integrantes do governo norte-americano. No entanto, o tribunal afirmou que não foi comunicado sobre o assunto do encontro e que a reunião não foi agendada devido ao recesso do Judiciário.
A movimentação ocorre após o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) negar, nesta sexta-feira (24), os pedidos de visto dos diplomatas Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Os dois funcionários foram citados em reportagem do jornal The Washington Post como responsáveis por uma estratégia voltada a questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. Segundo informações do governo brasileiro, a missão teria um caráter inusitado, o que motivou a negativa dos vistos.
Fontes da diplomacia indicaram que, embora o Brasil mantenha a tradição de receber observadores internacionais durante as eleições, a avaliação é de que os norte-americanos não atuariam como observadores, mas desempenhariam outro papel.
Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), magistrados classificaram a tentativa de missão como "escandalosa" e "inusitada". Para integrantes da Corte, a iniciativa representaria uma tentativa de interferência externa em um tema de competência exclusiva das instituições brasileiras e do processo eleitoral do país.
O TSE informou que um encontro com embaixadores será promovido na sede do tribunal no dia 17 de agosto (17). A diplomacia dos Estados Unidos e representantes de todos os países com representação no Brasil serão convidados para a ocasião.
Durante o evento, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, deve falar sobre o funcionamento das urnas eletrônicas. A viagem pretendida pelas autoridades americanas estaria planejada para ocorrer poucas semanas antes das eleições presidenciais, agendadas para 4 de outubro.
O debate sobre o sistema eletrônico de votação também foi mencionado por outros atores políticos. O pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou em reunião privada com representantes de cerca de 40 países que o Brasil utiliza urnas fabricadas por uma empresa venezuelana suspeita de fraudes, informação que já foi desmentida pelo TSE.
