Ministério Público Eleitoral pede fim de candidatura de Vaguinho Neguinho à disputa estadual
Procuradoria Regional Eleitoral pede rejeição de registro do vereador após investigação da PF apontar vínculos com crime organizado.
Por Redação Diário Local
O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu o indeferimento da candidatura do vereador Vaguinho Neguinho (PRD) ao cargo de deputado estadual. O pedido baseia-se em investigações da Polícia Federal (PF) que apontam indícios de envolvimento do candidato com organizações criminosas.
A Procuradoria Regional Eleitoral mudou o posicionamento anterior, que era favorável ao registro, após o compartilhamento de dados da Operação Fora de Ordem. Entre as provas apresentadas estão relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e quebras de sigilo telefônico do vereador.
De acordo com o MPE, foram identificadas conversas de Vaguinho Neguinho com lideranças do Comando Vermelho (CV), do Terceiro Comando Puro (TCP) e de milícias. Os diálogos tratariam de temas como empréstimos a chefes do tráfico e autorizações para a entrada de políticos em comunidades.
A investigação também aponta que empresas de telecomunicações ligadas ao vereador eram usadas para prestar serviços clandestinos de internet em áreas controladas pelo crime. O procurador regional eleitoral, Flávio Paixão de Moura Júnior, destacou movimentações financeiras atípicas que somam R$ 14,2 milhões entre 2020 e 2024.
As apurações ocorrem no âmbito de uma investigação sobre um esquema de extorsão e lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 350 milhões na Baixada Fluminense. A Operação Fora de Ordem, deflagrada pela PF e pelo Ministério Público do Rio (MPRJ), investiga um grupo liderado pelo miliciano Juninho Varão.
Na declaração de bens à Justiça Eleitoral para 2026, o candidato informou possuir R$ 3,1 milhões, incluindo uma BMW X6 e uma promessa de compra de imóvel financiada em R$ 1,77 milhão. O valor representa um aumento de mais de 7.000% em relação aos R$ 40 mil declarados por ele em 2014.
Por que o MPE pede o indeferimento da candidatura?
O pedido fundamenta-se no entendimento recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que estabelece que não é necessária uma condenação criminal prévia para barrar um candidato. Para o órgão, a existência de provas consistentes de envolvimento com o crime organizado é suficiente para o indeferimento.
O procurador reforçou que a Constituição Federal proíbe a interferência de grupos criminosos no processo democrático. O pedido de rejeição definitiva do registro de Vaguinho Neguinho está agora sob julgamento da relatora Tathiana de Carvalho Costa, no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).
