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Justiça

STF nega habeas corpus a fazendeiro colombiano acusado de fornecer cocaína ao PCC

Supremo Tribunal Federal negou pedido de liberdade para Yul Neyder Morales Sanchez, suspeito de abastecer facção criminosa.

Por Redação Diário Local

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) negou, nesta segunda-feira (24), um pedido de habeas corpus para Yul Neyder Morales Sanchez, conhecido como “Crespo”. O colombiano, condenado no Brasil a sete anos de prisão por associação para o tráfico internacional de drogas, é suspeito de fornecer cocaína para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O imigrante e fazendeiro é considerado foragido da Justiça brasileira. Segundo investigações da Polícia Federal (PF), Yul e seu pai, Cristobal Morales Velasquez, conhecido como “Papi Supremo”, operam uma estrutura de produção e refino de cocaína na Bolívia para abastecer diversos grupos criminosos no Brasil e no exterior.

A investigação contra o colombiano teve início após a PF interceptar comunicações entre integrantes do PCC e a Célula Porto, grupo responsável pelo escoamento de entorpecentes para a Europa por meio do Porto de Santos (SP). A droga seria camuflada em contêineres de navios para burlar a fiscalização alfandegária com destino a cidades como Antuérpia, na Bélgica.

De acordo com os investigadores, Yul atuava como um fornecedor de grande porte. Em março de 2014, a PF flagrou uma entrega do grupo próximo a uma lanchonete em Santos, no litoral paulista. Na ocasião, o colombiano chegou a enviar fotos da fazenda que possui na Bolívia para um líder de quadrilha especializado no envio de drogas via Porto de Santos.

Histórico de prisão e fuga

Yul foi detido em setembro de 2014 na Colômbia, após um alerta vermelho da Interpol. No entanto, o colombiano foi solto após o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) conceder um habeas corpus, sob a justificativa de excesso de prazo na instrução criminal, uma vez que o Ministério Público Federal (MPF) ainda não havia apresentado a denúncia.

Desde aquela época, o suspeito nunca mais foi capturado. Em março deste ano, a 5ª Vara Federal de Santos determinou a expedição de um novo mandado de prisão e a reinclusão do nome do colombiano na Difusão Vermelha da Interpol, reforçando o interesse na sua extradição por vias diplomáticas.

A defesa do acusado

O advogado Felipe Kirchner Bello, que representa Yul, argumenta que o processo condenatório possui graves problemas jurídicos e probatórios. Em nota, a defesa afirmou que a condenação é objeto de discussão judicial e que houve ilegalidades ao longo do processo.

A defesa alega que a imputação foi construída com base em interceptações telemáticas e atribuição de codinomes, sem o uso de perícia de voz, correlação técnica de aparelhos ou dados biométricos que comprovem a identidade do acusado. Os advogados sustentam ainda que os elementos usados referem-se a um episódio específico, sem prova de continuidade ou integração duradoura a uma organização criminosa.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.