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Investigação

Relatório da PF mostra que fundador do Banco Master questionou pagamento via Pix ao escritório da esposa de Alexandre de Moraes

Documento da Polícia Federal revela que Daniel Vorcaro demonstrou preocupação com a modalidade de transferência para o escritório da advogada.

Por Redação Diário Local

Um relatório da Polícia Federal (PF) revelou conversas em que o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, demonstrou preocupação ao saber que pagamentos ao escritório Barci de Moraes foram realizados via Pix. O diálogo, que integra as investigações sobre o banco, mostra o empresário questionando a modalidade de transferência utilizada para o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

As mensagens foram identificadas durante a análise do celular de Vorcaro, aparelho apreendido no âmbito da Operação Compliance Zero. De acordo com o documento, em 1º de outubro de 2025 (quarta-feira), o responsável pelas operações financeiras do banqueiro, Alberto Felix, informou que havia quitado pagamentos pendentes. Ao ser avisado de que o repasse ao escritório Barci de Moraes havia sido feito por Pix, Vorcaro questionou: “Mas nao faz barci pix ne?”.

Após a explicação de que a transferência utilizou os mesmos dados bancários de uma TED anterior, Vorcaro ponderou que a prática "Nao e bom". O relatório da PF preservou a grafia original das mensagens para manter a fidelidade aos dados da investigação. Até o momento, o documento não apresenta justificativas para o receio do empresário quanto ao uso do sistema de pagamentos instantâneos.

Além do questionamento sobre o método de pagamento, a investigação aponta que o contrato com o escritório de Viviane Barci de Moraes era tratado com sigilo. Em 14 de julho de 2025 (segunda-feira), Vorcaro orientou um funcionário para que ninguém tivesse acesso ao documento, mantendo o trato comercial restrito a ele e a um grupo selecionado de subordinados.

Detalhes do relatório da Polícia Federal

As informações constam de um relatório de 218 páginas produzido pela PF a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro, como mensagens, áudios e contratos. O documento foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça, do STF, com o objetivo de identificar possíveis redes de influência e monitoramento atribuídas ao banqueiro.

A Polícia Federal entregou o material nesta quinta-feira (27) (quinta-feira). A corporação ressaltou que a análise não possui caráter exaustivo, uma vez que foi realizada em um prazo de 72 horas para atender a uma requisição judicial, o que pode ter impedido a identificação de outras referências no aparelho.

O conteúdo foi tornado público nesta terça-feira (1), após o ministro André Mendonça derrubar o sigilo da ação. A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Vorcaro foi preso na primeira fase da operação, em 18 de novembro de 2025 (terça-feira).

Procurados para comentar o relatório e as mensagens, o ministro Alexandre de Moraes, o escritório Barci de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Daniel Vorcaro não enviaram respostas até a última atualização desta matéria.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.