Candidatos da 3ª via somam 9 milhões de votos e buscam influência no 2º turno
Votos de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema dividem-se entre apoio ao PL e busca pela alternativa à polarização.
Por Redação Diário Local
Os candidatos que integraram a chamada 3ª via na disputa presidencial — Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) — somaram mais de 9 milhões de votos, o que corresponde a cerca de 7,58% do eleitorado nacional.
Com a proximidade do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), os presidenciáveis que não avançaram buscam estratégias para influenciar o desfecho da eleição. Embora haja diferentes níveis de alinhamento, a migração real desses eleitores apresenta desafios para a consolidação da polarização.
Como os candidatos de alternativa se posicionaram?
O apoio aos candidatos do segundo turno variou conforme cada sigla. Ronaldo Caiado e Romeu Zema manifestaram apoio a Flávio Bolsonaro logo após o encerramento do primeiro turno. Augusto Cury declarou voto no senador semanas depois, condicionando sua decisão a um compromisso de governar sem ódio e sem vingança.
Em contrapartida, Renan Santos manteve neutralidade formal, permitindo que sua bancada e eleitores votassem conforme convicções pessoais. De acordo com informações levantadas, o candidato nem sequer deve comparecer às urnas neste domingo (25).
O comportamento do eleitor da 3ª via
A transferência de votos para o espectro de direita não é automática. O cientista político Leandro Gabiati explica que parte do eleitorado da 3ª via procura justamente uma alternativa ao embate entre Lula e Flávio Bolsonaro, o que trava uma migração mecânica. Ele estima que o candidato do PL consiga captar ao menos 40% desses votos.
O caso de Augusto Cury ilustra essa diversidade de critérios. Segundo pesquisa da Quaest, ao menos 48% de seus eleitores podem migrar para a candidatura de Lula, motivados pelo perfil menos ideológico e pela busca por uma alternativa à polarização apresentada pelo candidato.
O desafio de captar os ausentes
Além dos eleitores de alternativas, há o desafio dos 33,4 milhões de eleitores que não votaram no primeiro turno, representando um índice de abstenção de 21,8%. O número é o maior registrado desde 1998.
Gabiati pontua que esse grupo não deve ser tratado como um bloco de eleitores disponíveis, pois a ausência pode envolver fatores como saúde, desinteresse político ou dificuldades de deslocamento. Contudo, ele ressalta que uma parcela de indecisos dentro desse grupo pode ser convencida por campanhas que usem estratégias claras e evitem o radicalismo.
