Crianças de 3 a 6 anos representam 75% das denúncias de abuso sexual no Brasil em 2026
Dados do Ministério dos Direitos Humanos mostram que a primeira infância concentra a maioria das denúncias de abuso sexual no país.
Por Redação Diário Local
Crianças entre 3 e 6 anos de idade concentram cerca de 75% das denúncias de abuso sexual no Brasil durante o primeiro semestre de 2026. Segundo dados do painel do Ministério dos Direitos Humanos, o país registrou 2.643 denúncias envolvendo a primeira infância nos primeiros seis meses do ano.
O volume de ocorrências apresenta uma redução de 3,36% em comparação ao primeiro semestre de 2025, quando foram contabilizadas 2.735 denúncias. Apesar da queda no total geral, a concentração de casos na faixa etária de 3 a 6 anos permanece alta, representando três em cada quatro registros no período atual.
No detalhamento das estatísticas de 2026, as crianças de 5 anos formam o grupo com maior número de ocorrências, totalizando 553 casos. Bebês com até 1 ano de idade somam 59 registros, enquanto o grupo de recém-nascidos de até 28 dias contabilizou 4 casos.
Quais os impactos da violência na primeira infância?
A diretora-executiva da Childhood Brasil, Lais Peretto, afirma que crianças abaixo de 5 anos encontram-se em uma fase de alta vulnerabilidade e de desenvolvimento cerebral. Segundo a especialista, a violência pode gerar impactos psicológicos severos, incluindo o transtorno de estresse pós-traumático.
Peretto destaca que esses danos podem ocorrer mesmo quando a criança pequena ainda não possui capacidade de comunicação ou linguagem adequada para relatar o ocorrido. A especialista defende que a educação sexual atua como fator de proteção para as crianças e adolescentes.
Perfil de gênero e subnotificação
As meninas continuam sendo o grupo mais afetado pela violência sexual. No primeiro semestre de 2026, foram registradas 1.675 ocorrências envolvendo o gênero feminino, enquanto os meninos foram alvo de 677 denúncias no mesmo intervalo.
A especialista Lais Peretto pontua que pode haver uma subnotificação de casos envolvendo meninos devido a estereótipos de gênero. O levantamento também mostrou um aumento nos registros em que o gênero da vítima não foi informado, subindo de 155 ocorrências em 2025 para 271 em 2026.
Esclarecimento do Ministério
Sobre o aumento de denúncias com gênero não declarado, o Ministério dos Direitos Humanos informou, em nota, que os registros do Disque 100 dependem das informações fornecidas pelo denunciante no atendimento.
A classificação de "não informado" é utilizada quando o denunciante desconhece o gênero da vítima ou opta por não fornecê-lo no momento do registro. O Ministério ressaltou que esse aumento não indica, necessariamente, uma mudança no perfil das vítimas ou falhas na coleta de dados oficiais.
