Inalação de ar rarefeito pode ajudar a reduzir sintomas de Parkinson, aponta estudo da Unesp
Pesquisa indica que a exposição controlada à baixa oxigenação é segura, não afeta o sono e ajuda a modular marcadores de inflamação.
Por Redação Diário Local
A inalação controlada de ar rarefeito pode ajudar a atenuar sintomas da doença de Parkinson sem causar efeitos adversos ao sono, aponta estudo preliminar da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A técnica utiliza a exposição a pequenos intervalos de baixa oxigenação para estimular respostas adaptativas do organismo.
A abordagem, cientificamente chamada de hipóxia intermitente, busca modular hormônios e marcadores associados à inflamação em pessoas com a condição. Segundo os pesquisadores, os resultados iniciais indicam que o método ativa mecanismos de proteção de modo seguro, o que possibilita investigações com maior número de voluntários e protocolos de longo prazo.
A doença de Parkinson é caracterizada pela degeneração de neurônios produtores de dopamina, o que provoca tremores, rigidez muscular e lentidão. Além dos sintomas motores, a condição também pode desencadear processos inflamatórios e distúrbios do sono.
Como funciona a técnica de hipóxia?
O estudo contou com a participação de 30 voluntários, sendo metade de pessoas com Parkinson e a outra metade saudável. Durante o experimento, os participantes utilizaram máscaras e equipamentos para realizar quatro ciclos de 6 minutos respirando ar com apenas 10% de concentração de oxigênio — nível equivalente a uma altitude de 5.800 metros.
Entre esses ciclos, houve três intervalos de 5 minutos respirando ar normal, com 21% de oxigênio. O objetivo é utilizar o conceito de hormese, que é a capacidade do corpo de se adaptar a pequenos estresses para gerar benefícios, sem sobrecarregar o sistema como ocorre em altitudes elevadas de forma contínua.
Diferente do mal agudo da montanha, que causa náuseas e fadiga, o procedimento em laboratório é controlado para manter ativa a proteína HIF-1α. Essa proteína funciona como um sensor celular que aciona a proteção dos neurônios e otimiza a produção de energia nas células.
Quais os impactos no organismo?
Os pesquisadores observaram que uma única sessão de hipóxia intermitente foi suficiente para reduzir momentaneamente os níveis de cortisol (hormônio do estresse) e de leptina (hormônio que atua no metabolismo) nos voluntários com Parkinson. Além disso, houve um aumento sustentado da adiponectina, uma substância de ação anti-inflamatória.
O estudo também confirmou que o procedimento não alterou as taxas de ferro no sangue nem elevou os níveis de interleucina 6, molécula que estimula processos inflamatórios, reforçando a segurança do método. Outro ponto relevante foi a preservação da concentração da proteína BDNF, essencial para a sobrevivência dos neurônios.
Apesar dos benefícios nos biomarcadores sanguíneos, os pesquisadores destacam que a técnica não deve substituir os tratamentos atuais ou medicamentos. A proposta é que a hipóxia intermitente funcione como um tratamento complementar ao exercício físico, que permanece como a principal estratégia para melhorar as manifestações clínicas da doença.
