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Saúde

Consumir bebidas muito quentes pode triplicar risco de câncer de esôfago, aponta estudo

Pesquisa realizada com quase 1 milhão de adultos indica que a temperatura elevada do líquido, e não o tipo de bebida, pode elevar o risco de tumor.

Por Redação Diário Local

O consumo de bebidas em temperaturas muito elevadas pode estar associado a um risco maior de câncer de esôfago. Uma pesquisa envolvendo cerca de 980 mil adultos no Reino Unido identificou uma relação crescente entre a temperatura de preferência dos líquidos e a ocorrência de carcinoma de células escamosas, tipo de câncer que se desenvolve nas células que revestem o esôfago.

O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de Oxford e os resultados foram publicados na última quarta-feira (8) na revista científica International Journal of Cancer. Os pesquisadores acompanharam os participantes, que faziam parte do UK Biobank e do Million Women Study, por um período superior a dez anos.

De acordo com os achados, pessoas que relataram consumir bebidas "quentes" apresentaram um risco quase duas vezes maior de desenvolver a doença em comparação com quem prefere bebidas mornas. Já entre os participantes que afirmaram beber líquidos "muito quentes", o risco foi aproximadamente três vezes maior.

Keren Papier, pesquisadora principal e epidemiologista nutricional sênior da Oxford Population Health, afirmou que esta é a maior pesquisa realizada até o momento sobre o tema em uma população britânica. Segundo ela, os dados reforçam evidências anteriores que conectam o consumo de líquidos muito quentes a um risco elevado desse tipo de tumor.

Qual é o fator de risco?

Os pesquisadores ressaltam que o estudo não encontrou evidências de que o café ou o chá, especificamente, aumentem o risco de câncer de esôfago. A associação observada ocorreu devido à temperatura do líquido, independentemente do tipo de bebida que estava sendo consumida.

Isso indica que o possível fator de risco não seria a composição química do café ou do chá, mas o contato repetido do esôfago com líquidos em temperaturas muito elevadas. Embora o mecanismo exato ainda não esteja totalmente esclarecido, uma das hipóteses é que o calor excessivo provoque danos contínuos no revestimento do esôfago.

Ao longo do tempo, essas lesões causadas pela temperatura poderiam contribuir para alterações celulares associadas ao desenvolvimento do câncer. A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) já classifica o consumo de bebidas acima de 65°C como "provavelmente cancerígeno" para humanos, com base em estudos realizados fora do Reino Unido.

Limitações do estudo

Apesar do grande volume de participantes, a pesquisa apresenta uma limitação importante. Os cientistas não realizaram a medição direta da temperatura das bebidas consumidas durante o acompanhamento.

A classificação dependeu da percepção dos próprios participantes, que informavam se preferiam líquidos mornos, quentes ou muito quentes. Por esse motivo, não é possível determinar com precisão exata quais temperaturas específicas estão associadas a cada nível de risco observado, embora os resultados reforcem o alerta sobre a temperatura.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.