Brasil lidera ranking de ansiedade no mundo, segundo a OMS; veja como prevenir
Cerca de 18,6 milhões de brasileiros sofrem com o transtorno, segundo a Organização Mundial da Saúde; psicóloga detalha hábitos de cuidado
Por Redação Diário Local
O Brasil apresenta a maior prevalência de transtornos de ansiedade do mundo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Cerca de 18,6 milhões de brasileiros convivem com o problema, segundo a entidade.
Em escala global, a OMS estima que a depressão e a ansiedade causam a perda de aproximadamente 12 bilhões de dias úteis por ano. O impacto do transtorno vai além da saúde mental, afetando a produtividade, os relacionamentos e a qualidade de vida.
Para auxiliar na prevenção da doença, a psicóloga clínica Vanessa Bulcão, coordenadora da Unidade de Psicologia do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH), em Portugal, orienta atenção aos hábitos diários. Segundo a especialista, o autocuidado ajuda a regular as emoções e o funcionamento do sistema nervoso.
Embora a ansiedade seja uma resposta natural do organismo diante de situações de perigo ou desafio, ela deixa de cumprir sua função quando o estado de alerta se torna frequente, intenso ou desproporcional. Além de fatores genéticos, a rotina influencia como o cérebro responde ao estresse.
Como prevenir a ansiedade no dia a dia?
O primeiro hábito recomendado para a prevenção é garantir uma boa noite de sono. O descanso é um dos principais reguladores da saúde mental, pois permite que o cérebro organize memórias e reduza a ativação dos sistemas relacionados ao estresse.
Quando o sono é insuficiente ou de baixa qualidade, há uma tendência ao aumento da irritabilidade, da preocupação excessiva e da ansiedade. Por isso, o repouso adequado é visto pela especialista como fundamental para o equilíbrio emocional.
Outro ponto de atenção é a necessidade de reduzir os estímulos digitais. A busca por prazer rápido em redes sociais e o excesso de notificações mantêm o cérebro em um estado contínuo de alerta, afetando a resposta de sobrevivência do organismo.
Criar momentos do dia longe das telas ajuda a diminuir a sobrecarga mental. A redução desse estímulo constante favorece períodos de maior tranquilidade e concentração, combatendo o que a psicóloga chama de "era da dopamina".
A especialista também destaca a importância de priorizar momentos de lazer e o convívio com familiares e amigos. Em uma cultura que valoriza a produtividade constante, as pausas funcionam como um fator de proteção para a saúde mental.
Práticas de atenção plena, como meditação, respiração consciente e mindfulness, também são indicadas. Essas estratégias auxiliam na redução da tensão emocional ao estimular o foco no momento presente e diminuir pensamentos acelerados.
A importância de uma rotina organizada
Manter uma rotina estruturada é outra estratégia para evitar a sensação de que não é possível dar conta das tarefas. Ter horários relativamente estáveis para dormir, trabalhar, alimentar-se e descansar oferece maior segurança ao cérebro.
A previsibilidade da rotina reduz a incerteza, que é um dos fatores que costuma alimentar os quadros de ansiedade. Uma estrutura organizada proporciona ao indivíduo uma sensação de controle sobre o ambiente e as atividades diárias.
Apesar da importância desses hábitos, a psicóloga esclarece que nem toda ansiedade pode ser evitada apenas com mudanças de estilo de vida. Quando os sintomas começam a interferir no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos, a busca por ajuda profissional é necessária.
A ansiedade não deve ser encarada como sinal de fraqueza, mas como um indicativo de sobrecarga do organismo. Quanto mais cedo os sinais forem identificados, maiores as chances de preservar a saúde mental e a qualidade de vida.
Procure avaliação médica.
