Brasileiros passam média de 12,5 anos da vida com doenças ou limitações, aponta estudo
Levantamento da revista The Lancet Public Health mostra que tempo vivido com problemas de saúde subiu 20% em 30 anos no Brasil
Por Redação Diário Local
A população brasileira passa, em média, 12,5 anos da vida com alguma doença ou limitação física. O dado foi divulgado por um estudo publicado na revista científica The Lancet Public Health, que analisou o cenário de 204 países e territórios entre 1990 e 2023.
O levantamento mostra que, embora o brasileiro esteja vivendo mais, o tempo dedicado a conviver com problemas de saúde aumentou. Em 1990, a média era de 10,4 anos; em 2023, o índice chegou a 12,5 anos, um crescimento de 2,1 anos, ou 20%, em pouco mais de três décadas.
Com esse resultado, o Brasil ocupa a 16ª posição no ranking global de nações com o maior número de anos vividos em más condições de saúde entre os países analisados.
Por que a qualidade de vida diminui com a idade?
O comprometimento da qualidade de vida, especialmente em idosos, muitas vezes não ocorre por uma doença isolada, mas sim pela multimorbidade. Esse termo refere-se à combinação de várias doenças crônicas que afetam a mobilidade, a cognição e a autonomia do indivíduo.
Entre os principais problemas que podem comprometer a capacidade funcional dos idosos no Brasil estão as doenças cardiovasculares, osteomusculares, neurodegenerativas, condições metabólicas e transtornos mentais.
De acordo com o estudo, cinco causas principais são responsáveis por 57,4% dos anos vividos com problemas de saúde no mundo: distúrbios musculoesqueléticos (como a dor lombar), transtornos mentais (como depressão e ansiedade), doenças dos órgãos dos sentidos (como perda auditiva), lesões não intencionais (quedas) e outras doenças não transmissíveis.
Como prevenir o agravamento do quadro?
Especialistas indicam que os processos biológicos que levam às doenças crônicas costumam começar muito antes dos 60 ou 65 anos. Por isso, manter hábitos saudáveis ao longo de toda a vida é fundamental para o envelhecimento com qualidade.
Fatores de risco que mais contribuem para o quadro global de doenças incluem o excesso de peso, a glicemia de jejum elevada, o tabagismo e a desnutrição materno-infantil. Para evitar o agravamento, recomenda-se a prática de atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado e o controle do consumo de álcool e cigarro.
Além das escolhas individuais, a infraestrutura das cidades também é apontada como fator relevante, sendo necessário criar ambientes acolhedores e adaptados para que a população idosa consiga manter uma rotina ativa.
