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Saúde

Receita de chá de cravo e louro viraliza no TikTok com promessa de emagrecimento e redução de inchaço

Vídeo apresenta receita como solução para emagrecer e desinchar, mas falta comprovação científica de que a bebida trate esses sintomas.

Por Davy Albuquerque

Uma receita de chá feito com cravo-da-índia e louro ganhou destaque nas redes sociais, especialmente no TikTok, com a promessa de auxiliar no emagrecimento, reduzir o inchaço e melhorar a circulação sanguínea. No entanto, não existem evidências clínicas suficientes para comprovar que o consumo da bebida produza esses efeitos no organismo humano.

O conteúdo, que viralizou na plataforma, foi compartilhado por Lupercio Piccine, que se apresenta como terapeuta em fitoterapia. Na gravação, ele apresenta uma mistura de três cravos-da-índia, duas folhas de louro desidratadas e uma xícara de água, afirmando que a combinação ajuda na circulação e pode reduzir inflamações e dores no corpo.

A orientação para o preparo consiste em levar os ingredientes ao fogo e, após a fervura, manter por cinco minutos. Em seguida, a bebida deve ficar abafada por dez minutos antes de ser coada para o consumo. O vídeo original não especifica a frequência diária ou o tempo de uso recomendado para a receita.

O chá realmente ajuda a emagrecer?

Não há comprovação científica de que a combinação de cravo e louro seja capaz de queimar gordura ou provocar perda de peso direta. Embora existam pesquisas sobre os efeitos metabólicos dos componentes dessas especiarias, a maioria desses trabalhos é realizada em laboratório ou com animais, o que não garante o mesmo resultado em pessoas.

Um estudo publicado em 2025 com extrato aquoso de louro observou possíveis efeitos sobre o metabolismo de gordura e a inflamação no fígado. Contudo, o teste foi conduzido exclusivamente em animais e utilizou extratos concentrados, condições muito diferentes do preparo de um chá doméstico.

Especialistas apontam que o chá sem açúcar pode, sim, auxiliar em dietas se substituir bebidas mais calóricas. Nesse caso, a redução de peso ocorreria pela diminuição do consumo calórico total da dieta, e não por uma propriedade específica de queima de gordura da bebida.

A promessa de "desinchar" exige cautela

O termo "desinchar" é frequentemente usado de forma genérica para descrever desde o estufamento estomacal até a retenção de líquidos nas extremidades. Não há prova de que a mistura de cravo e louro funcione como diurético ou que seja capaz de tratar a causa real de um edema (inchaço).

O uso da bebida para tentar mascarar o inchaço pode ser perigoso se o sintoma estiver relacionado a problemas circulatórios, hormonais ou doenças cardíacas, renais e hepáticas. Caso o inchaço surja de forma repentina ou venha acompanhado de dor, falta de ar ou vermelhidão, é necessário buscar atendimento médico.

Riscos de interferência na coagulação

O cravo possui eugenol, uma substância que demonstrou ação sobre a agregação das plaquetas em estudos experimentais. Essa característica levanta o alerta de que o consumo regular do chá pode interferir na ação de medicamentos anticoagulantes ou antiplaquetários.

Por conta disso, pessoas que utilizam remédios para evitar coágulos — como os prescritos após episódios de infarto ou AVC — devem consultar um profissional de saúde antes de incluir a bebida na rotina. O mesmo cuidado é indicado para quem tem distúrbios de coagulação ou possui cirurgias agendadas.

Quem deve evitar o consumo

Gestantes e mulheres que estão em período de amamentação devem evitar o uso medicinal frequente desse tipo de chá sem orientação profissional. A presença dos ingredientes na culinária comum não garante a segurança de doses maiores ou do uso contínuo durante essas fases.

Pessoas com diabetes ou doenças no fígado também precisam de cautela, pois estudos preliminares indicam que as especiarias podem interferir nos níveis de glicose. Além disso, especialistas alertam que o uso de óleos essenciais de cravo é extremamente perigoso devido à alta concentração, podendo causar intoxicação grave.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.