Diário Local
Saúde

Neuromielite óptica causa impactos invisíveis na saúde mental de pacientes

Além de danos neurológicos, a doença rara provoca ansiedade e insegurança devido à imprevisibilidade de novas crises.

Por Redação Diário Local

A Neuromielite Óptica e doenças de seu espectro (NMOSD) causam impactos que vão além dos danos neurológicos detectados em exames clínicos. A condição afeta a identidade, a rotina familiar e o planejamento de vida de quem convive com a enfermidade.

A NMOSD é uma doença neurológica rara, de caráter autoimune e inflamatório. Ela atinge principalmente o nervo óptico e a medula espinhal, podendo resultar em perda de visão, limitações motoras, dor, fadiga e, em alguns casos, sequelas permanentes.

Embora o diagnóstico seja realizado por meio de avaliação clínica, exames de imagem e testes laboratoriais, aspectos como o medo de novas crises e a insegurança perante a imprevisibilidade da doença não são mensuráveis por exames físicos. A condição afeta predominantemente mulheres entre 30 e 40 anos, mas também pode acometer homens e crianças.

O processo de receber o diagnóstico de uma doença crônica e rara frequentemente gera uma adaptação semelhante ao luto. Os pacientes precisam reorganizar expectativas, redefinir prioridades e construir novas rotinas diante de limitações e incertezas.

Por que a imprevisibilidade afeta o psicológico?

A característica central da NMOSD é a incerteza sobre o futuro. Mesmo realizando o tratamento, muitos pacientes convivem com a preocupação constante de novas crises, que podem provocar internações e mudanças na autonomia.

Essa imprevisibilidade pode favorecer o surgimento de quadros de ansiedade e insegurança. Segundo pesquisas sobre a qualidade de vida de pessoas com NMOSD no Brasil, os domínios mais comprometidos pela doença são justamente as limitações físicas e emocionais.

Outro desafio são as chamadas "sequelas invisíveis". Sintomas como fadiga intensa, dor neuropática, alterações de sensibilidade e exaustão emocional nem sempre são percebidos por terceiros, embora exijam grande esforço físico e psicológico para a manutenção das tarefas diárias.

Como a doença transforma a rotina familiar?

A dinâmica da casa, do trabalho e do cuidado com filhos e familiares sofre alterações devido a internações e tratamentos. O sofrimento emocional costuma estar ligado ao receio de perder a independência ou de se tornar um peso para os entes queridos.

Para enfrentar o quadro, especialistas indicam que o cuidado deve ser integral, unindo o acompanhamento médico à psicoterapia, ao apoio familiar e à participação em grupos de pacientes. O objetivo é garantir que a condição médica não se torne a única definição da identidade de quem convive com ela.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.