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Saúde

Especialistas afirmam que a paciência é uma habilidade que pode ser treinada

Psicólogos explicam que o cérebro possui plasticidade para reaprender a lidar com ritmos menos imediatos e o tédio.

Por Redação Diário Local

A paciência é uma habilidade que pode ser treinada para ajudar a lidar com ritmos menos imediatos e com a ausência de recompensas instantâneas. Segundo especialistas, o cérebro possui plasticidade para se adaptar e se readaptar, permitindo que o indivíduo desenvolva maior flexibilidade em seus comportamentos e emoções por meio da prática.

A psicóloga Ana Carolina Souza explica que esse processo de aprendizado envolve a aceitação de momentos de tédio, silêncio ou espera. Para a profissional, essas experiências são fundamentais para desenvolver a reflexão, a criatividade e a capacidade de lidar com situações que não oferecem satisfação imediata.

Para exercitar a espera no cotidiano, a psicóloga Aline Eccher sugere a criação de momentos de "ilhas de ócio". A proposta consiste em permitir-se períodos sem o uso de telas, sem música de fundo e sem a prática de multitarefas, utilizando o tédio como um espaço para reaprender a habitar o presente.

Outra estratégia é o adiamento de pequenas gratificações. A recomendação inclui evitar a busca por distrações a todo momento e esperar alguns minutos antes de checar o celular ou responder mensagens e e-mails, desde que não haja urgência.

Adoção de atividades analógicas também é apontada como um caminho. Práticas de longo prazo, como cuidar de plantas, ler livros físicos, praticar artesanato, montar quebra-cabeças ou jogar jogos de tabuleiro, ajudam a resgatar o prazer no ritmo natural das coisas.

A psicóloga Rachel Borges ressalta que o aprendizado passa por mudar a relação com pequenos desconfortos. Segundo a especialista, sentir tédio ou desconforto não significa que seja necessário realizar uma ação imediata para encerrar a sensação.

A experiência pessoal também ilustra essa mudança. A servidora pública Zelita Viana, de 63 anos, relata que encontrou na ioga uma forma de respeitar o próprio ritmo e melhorar o autoconhecimento, utilizando exercícios de respiração para retomar o equilíbrio em momentos de aceleração.

Como melhorar a paciência no dia a dia?

Especialistas listam diversas práticas para desacelerar. Entre elas, destacar a execução de uma tarefa por vez, como comer ou estudar sem distrações, e a manutenção de uma rotina de atividades físicas, que ajuda a compreender que resultados demandam constância e tempo.

Hobbies manuais, como crochê, bordado, cerâmica e pintura, também são recomendados por exigirem concentração e respeito ao tempo de cada etapa. Escrever à mão, seja em diários ou cartas, é outra sugestão para reduzir o ritmo mental.

Além disso, é possível evitar ocupar todos os momentos de espera, como em filas ou elevadores, tentando apenas observar o ambiente por alguns minutos. Outra dica é o hábito da leitura de textos mais longos, que auxilia no exercício da atenção contínua.

Retiros como alternativa de desconexão

Em busca de desaceleração, retiros de silêncio têm se tornado uma opção para quem enfrenta rotinas agitadas. No Sítio Mauna, em Domingos Martins, na Região Serrana do Espírito Santo, participantes passam por jornadas de silêncio integral que duram três dias.

A experiência, facilitada por Tainá Figueiras e Pietro Giusti, une práticas de ioga e técnicas da Ayurveda, sistema de medicina tradicional indiana. As atividades incluem meditação, dinâmicas terapêuticas, trilhas e uma alimentação natural e balanceada.

Durante o retiro, a orientação é o distanciamento de estímulos, incluindo o uso de celulares, livros e até atividades manuais. O objetivo é fazer com que os participantes aprendam a aproveitar o ócio e a própria companhia.

A alimentação também é estruturada com foco no bem-estar, utilizando princípios da Ayurveda para oferecer uma dieta vegetariana e natural. O local também oferece tratamentos personalizados para lidar com questões específicas trazidas pelos participantes.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.