Baixa testosterona pode ser reflexo de problemas metabólicos e não apenas deficiência hormonal
Níveis baixos de testosterona podem ser consequência de obesidade, diabetes ou hipertensão, exigindo investigação antes da reposição hormonal.
Por Redação Diário Local
A redução dos níveis de testosterona em homens pode ser uma consequência de alterações metabólicas e de outras condições de saúde, e não necessariamente uma deficiência permanente do hormônio. Em muitos casos, a queda hormonal exige a investigação e o tratamento de problemas de base antes que a reposição seja indicada.
De acordo com a médica cardiologista Tatiane Mascarenhas Santiago Emerich, a baixa testosterona pode ser um sinal de algo mais amplo na saúde do paciente. O tratamento deve focar na causa raiz, que pode envolver o metabolismo e a saúde cardiovascular.
O diagnóstico de hipogonadismo masculino não deve ser feito com base em um único resultado de exame laboratorial. Para confirmar a condição, é necessário que o paciente apresente sintomas compatíveis, como a redução da libido ou das ereções espontâneas.
Além dos sintomas, a confirmação exige níveis consistentemente baixos de testosterona em pelo menos duas coletas de sangue. Estas devem ser realizadas obrigatoriamente no período da manhã e em dias diferentes para garantir a precisão do dado.
Causas reversíveis e o papel da obesidade
Existem causas permanentes de hipogonadismo que estão ligadas a alterações nos testículos, na hipófise ou no hipotálamo. Nesses cenários, a reposição hormonal pode ser o caminho necessário após avaliação médica.
Por outro lado, há causas potencialmente reversíveis, como a obesidade, que é uma condição frequente em consultórios médicos. O excesso de gordura corporal, principalmente a gordura visceral, interfere diretamente no eixo responsável pela produção do hormônio.
Nesses casos, o hipogonadismo é classificado como secundário. Isso significa que o problema pode ser mitigado sem o uso de hormônios sintéticos, através do controle do peso e das alterações metabólicas associadas.
Em homens com obesidade, a perda de peso pode contribuir para o aumento natural dos níveis hormonais. Esse processo também costuma estar associado à melhora da função física, da libido e da função erétil.
Investigação integrada de saúde
A investigação médica deve ser ampla e não focar apenas no número do exame de testosterona. É preciso avaliar o paciente de forma integrada, observando o peso, a circunferência abdominal, a pressão arterial e a glicemia.
O controle do colesterol e a prática de atividades físicas também entram no radar da investigação. Condições como diabetes tipo 2 e hipertensão arterial frequentemente aparecem juntas e precisam de abordagem conjunta com o eixo hormonal.
Exames como a dosagem de LH e FSH auxiliam a identificar se a origem da alteração está nos testículos ou no eixo hipotálamo-hipófise. Em alguns pacientes, pode ser necessária também a análise da testosterona livre.
A reposição hormonal só é indicada quando o hipogonadismo é verdadeiro e devidamente investigado. O tratamento exige acompanhamento constante para monitorar a saúde da próstata e os níveis de hemoglobina.
Isso ocorre porque a testosterona pode estimular a produção de glóbulos vermelhos no organismo. Portanto, cuidar do metabolismo e do coração pode ser o primeiro passo para recuperar a saúde hormonal de forma segura.
