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Saúde

Pesquisa indica que 79,7% dos médicos de UTI precisam de cuidados com saúde emocional

Levantamento da Amib e do CFM revela que quase 80% dos profissionais que atuam em UTIs demandam atenção à saúde mental.

Por Redação Diário Local

Cerca de 79,7% dos médicos que atuam em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no Brasil precisam de atenção e cuidados relacionados à saúde emocional, aponta o Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica das UTIs Brasileiras. O levantamento foi realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM).

A pesquisa ouviu 2.338 profissionais em 26 estados e no Distrito Federal. Entre os entrevistados, 48,5% apresentaram alto nível de esgotamento emocional e 31,2% apresentaram nível moderado. O estudo também identificou sinais de distanciamento emocional e baixa satisfação profissional entre os médicos intensivistas.

Por que ocorre o esgotamento emocional?

A Amib afirmou que os resultados indicam a vulnerabilidade dos médicos à síndrome de burnout, que é caracterizada por exaustão emocional, distanciamento afetivo e sensação de baixa realização pessoal. Entre os fatores que podem estar associados a esse cenário, a associação citou a carga horária elevada, a exposição constante a situações críticas, problemas de infraestrutura e a demanda crescente por atendimento em uma rede de cobertura limitada.

Os profissionais também convivem diariamente com situações de dor, sofrimento e morte, além de precisarem tomar decisões rápidas em casos graves. Esse contexto contribui para os índices de satisfação profissional, já que 46,4% dos médicos relataram baixo grau de satisfação com as atividades desempenhadas. Quando somados os profissionais com satisfação moderada, o percentual de médicos que não estão totalmente satisfeitos com o exercício da profissão chega a 84,5%.

O impacto da despersonalização

O levantamento identificou algum grau de despersonalização em 45,6% dos intensivistas. Esse fenômeno é caracterizado pelo distanciamento emocional e por atitudes que podem ser frias, apáticas ou cínicas em relação a pacientes e colegas. Desse total, 29,6% apresentaram nível moderado de despersonalização e 16% nível elevado.

Segundo a Amib, esse comportamento pode prejudicar a comunicação entre as equipes de saúde e a humanização do atendimento prestado aos pacientes.

Diferenças conforme a especialização

Os resultados também apontam variações de acordo com o grau de especialização do profissional. Segundo a pesquisa, quanto maior a especialização do médico que trabalha em UTI, menores são os níveis de esgotamento mental e de distanciamento afetivo, enquanto aumenta o grau de realização pessoal.

Entre médicos intensivistas, 44,5% relataram alto nível de esgotamento emocional, 12,7% apresentaram alto grau de despersonalização e 39,8% relataram baixo nível de satisfação com o próprio desempenho. Já entre médicos generalistas que atuam em UTIs, os índices foram de 52,3% para esgotamento, 20,1% para despersonalização e 50,7% para baixo nível de satisfação.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.