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Saúde

Falta de reconhecimento profissional pode causar adoecimento mental, aponta estudo da Unicamp

Pesquisa da Unicamp identifica que o esforço invisível e a falta de valorização profissional são fatores de risco para a saúde mental.

Por Redação Diário Local

A falta de reconhecimento profissional e o esforço invisível realizado para cumprir tarefas são fatores que podem levar ao adoecimento mental de trabalhadores. Um estudo inédito da Unicamp (Universidade de Campinas) aponta que a desvalorização do "trabalho real" — o esforço cognitivo, físico, afetivo e emocional — contribui para riscos psicossociais no ambiente laboral.

A pesquisa, desenvolvida pelo pesquisador Ricardo Bertoni Pompeu, baseia-se em relatos de assalariados de diferentes setores que enfrentam situações como metas inalcançáveis, assédio, sobrecarga e estagnação. O estudo indica que as organizações costumam mensurar os funcionários apenas pelo resultado entregue (trabalho prescrito), negligenciando a complexidade do processo.

O que é o trabalho real?

O conceito de "trabalho real" refere-se ao esforço que não é visto pela gestão, mas que é essencial para a execução de uma função. Segundo o pesquisador, além do preenchimento de dados ou execução de ordens, existe um esforço cognitivo para decidir como realizar a tarefa, um esforço físico para lidar com o ambiente e um esforço emocional para gerenciar frustrações e pressões.

Há também o esforço psíquico, relacionado à dúvida constante sobre a própria competência e ao julgamento alheio. Quando a empresa ignora esses elementos e foca apenas no produto final, o trabalhador pode desenvolver quadros de exaustão e sofrimento psíquico.

Quais são as novas patologias do trabalho?

A partir dos relatos coletados, o estudo identificou dois padrões de comportamento organizacional que podem ser classificados como patologias: a contingencialidade e a disjuntividade.

A contingencialidade ocorre quando o trabalhador é tratado como um recurso "just in time", sendo convocado apenas para atender demandas imediatas, sem que suas necessidades pessoais ou projetos de vida sejam considerados. Nesse modelo, o profissional é visto como alguém que colabora enquanto é útil, mas pode ser descartado com facilidade.

Já a disjuntividade está ligada ao apagamento da história profissional. Nela, o desempenho imediato é a única métrica de valor, impedindo que o trabalhador construa uma trajetória reconhecida na empresa, uma vez que sua experiência acumulada deixa de ter relevância diante da urgência do momento.

Como funcionam as normas de prevenção?

Desde o dia 26 de maio, as empresas brasileiras têm a obrigação de identificar e gerenciar riscos psicossociais por meio do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A norma exige que as organizações considerem fatores como jornadas excessivas, metas abusivas e situações de assédio.

Apesar da regulamentação, o pesquisador demonstra ceticismo quanto à sua efetividade prática. Para Pompeu, existe o risco de as empresas utilizarem a norma apenas para produzir documentação de defesa em caso de fiscalizações, em vez de promover melhorias reais no ambiente de trabalho e no bem-estar dos funcionários.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.