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Meio Ambiente

Estudo com apoio da Fapesp propõe 10 diretrizes para restauração de ecossistemas

Pesquisa desenvolvida por especialistas de sete países sistematiza o uso de conhecimentos científicos e tradicionais para orientar projetos de recuperação ambiental.

Por Redação Diário Local

Uma pesquisa publicada na quarta-feira (1) no Journal of Applied Ecology propõe 10 diretrizes para orientar projetos de restauração ecológica com base em evidências. O estudo, que conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) por meio do núcleo BIOTA Síntese, busca oferecer um guia prático para a recuperação de ecossistemas.

O trabalho foi desenvolvido por cientistas e profissionais de sete países e tem como objetivo sistematizar a aplicação de conhecimentos científicos, tradicionais e práticos nas tomadas de decisão. A iniciativa visa preencher uma lacuna na literatura da área sobre como aplicar de forma segura as evidências disponíveis.

Segundo o autor brasileiro do estudo, Rafael Chaves, que é vice-diretor do BIOTA Síntese e especialista ambiental do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), embora pesquisas anteriores indicassem a importância de usar evidências para melhorar resultados, faltava um método prático de aplicação e orientações sobre os cuidados necessários.

Como funcionam as novas diretrizes?

O ponto de partida proposto pela pesquisa é o chamado knowledge brokering, que consiste em garantir um sistema de articulação dos conhecimentos disponíveis. A partir desse modelo, o profissional deve identificar os objetivos e desafios prioritários da restauração e levantar as evidências, avaliando sua robustez e aplicabilidade ao contexto local.

As diretrizes também orientam a integração de diferentes saberes. O guia recomenda que conhecimentos científicos, práticos, indígenas e de comunidades locais sejam reconhecidos e incorporados aos projetos, levando em conta o contexto das políticas públicas locais para articular a interface entre ciência e prática.

Quais são os outros pontos do estudo?

Projetar cenários socioecológicos futuros é outro ponto destacado pelos autores para garantir a eficácia da restauração em longo prazo. O estudo também aponta a necessidade de discutir escolhas e compensações no processo de tomada de decisão, conceito conhecido como trade-off.

Como última diretriz, o trabalho destaca o papel estratégico da coprodução de conhecimentos aplicáveis. O objetivo é incentivar instituições e pessoas a promoverem a articulação entre a prática de campo e as evidências científicas, ajudando a preencher lacunas identificadas durante a execução dos projetos.

O grupo de autores possui uma abordagem transdisciplinar e reúne especialistas de quatro continentes, incluindo Brasil, México, China, Etiópia, Gana, Espanha e Inglaterra. Os pesquisadores atuam em diferentes esferas, como órgãos governamentais, ONGs, empresas privadas e instituições de pesquisa.

A metodologia utilizada para o desenvolvimento do estudo combinou uma revisão bibliográfica com a experiência prática dos autores em diversos ecossistemas. Segundo Chaves, a intenção foi mesclar o embasamento acadêmico com a experiência aplicada para garantir que o restaurador tenha segurança sobre o que é útil para cada caso específico.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.