Uso de celular entre idosos cresce e pode afetar saúde mental e sono
Dados do IBGE mostram aumento no uso de aparelhos por pessoas com mais de 60 anos, o que pode estar ligado ao sedentarismo e problemas no sono.
Por Redação Diário Local
A proporção de brasileiros com 60 anos ou mais que utilizam o celular para uso pessoal subiu de 66,6% em 2019 para 78,1% em 2024. O crescimento, que representa a maior alta entre as faixas etárias analisadas, levanta alertas sobre os impactos do uso problemático do aparelho na saúde da terceira idade.
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o aumento da conectividade entre idosos pode estar associado a problemas como a pior qualidade do sono, o surgimento de sintomas depressivos e o sedentarismo.
O uso excessivo de dispositivos móveis pode levar a uma reorganização da rotina, na qual o tempo de tela substitui atividades fundamentais. O comportamento pode resultar na redução de encontros sociais, na diminuição de atividades físicas e na troca de momentos de descanso por conteúdos digitais.
Especialistas apontam que a dependência digital costuma ser gradual. O excesso muitas vezes deixa de ser percebido como um problema à medida que o uso de aplicativos passa a ocupar a noite, fazendo com que o idoso durma mais tarde e acorde com maior sensação de cansaço.
Quais os riscos do uso excessivo para a saúde?
Além do impacto no descanso, o uso desregrado pode afetar o bem-estar físico e mental ao substituir o movimento e a vida social pela rolagem de conteúdos. A substituição da caminhada ou da leitura pelo uso constante do celular pode promover um cotidamento mais isolado e menos ativo.
O problema do uso de telas não reside apenas no tempo ocupado, mas no que o dispositivo acaba retirando da vida cotidiana, como a curiosidade e o convívio presencial. Esse fenômeno pode gerar um afastamento silencioso, mesmo que a pessoa esteja cercada de informações digitais.
Como identificar o impacto do celular na rotina?
Diferente de outras condições de saúde, o impacto do celular na rotina nem sempre é detectado por exames de sangue convencionais. Embora exames revelem níveis de hormônios e vitaminas, eles não mostram quantas horas de sono foram cedidas às telas ou quantos passos deixaram de ser dados.
Para entender o nível de dependência, é necessário observar o que o aparelho está substituindo no dia a dia. Analisar a quantidade de horas ocupadas pelo dispositivo e a qualidade das noites são passos importantes para preservar a atenção e manter a mente ativa na velhice.
