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Saúde

Entenda o que são os príons e como atuam na doença de Creutzfeldt-Jakob

A condição, que causa deterioração mental, ocorre quando proteínas benéficas mudam de formato e passam a destruir os neurônios.

Por Redação Diário Local

A doença de Creutzfeldt-Jakob, caracterizada pela deterioração progressiva da função mental, é causada por alterações em proteínas denominadas príons. O tema ganhou repercussão nacional após o diagnóstico do piloto e influenciador brasileiro Lito Sousa, anunciado no último domingo (23).

A condição neurologica atua de forma agressiva no sistema nervoso central. O processo de deterioração ocorre devido à transformação de proteínas que deveriam ser benéficas ao organismo.

Segundo Salmo Raskin, diretor científico da Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica (SBGM), a proteína priônica normal desempenha papéis fundamentais na saúde cerebral. Ela é responsável pela proteção dos neurônios e pelo aprendizado.

Além disso, a proteína auxilia na formação da memória e na manutenção da bainha de mielina. Ela também atua na regulação do sistema imunológico e na defesa contra o estresse oxidativo.

Como os príons afetam o cérebro?

A proteína saudável possui um formato "enrolado" e maleável. O problema surge quando ela sofre uma mudança estrutural, passando a ter um formato reto e insolúvel.

Nessa nova configuração, a proteína passa a ser chamada de príon infeccioso. Ela perde suas funções biológicas úteis e passa a se acumular de maneira desordenada no tecido cerebral.

Esses agregados tóxicos de príons destroem os neurônios conforme se multiplicam. O resultado desse dano é a criação de furos no tecido cerebral, processo que também é conhecido como encefalopatia espongiforme.

O termo "espongiforme" é utilizado justamente devido ao aspecto de esponja que o cérebro assume com a presença dessas cavidades causadas pela morte neuronal.

Como a doença pode ser transmitida?

Existem diferentes formas de manifestação da patologia, sendo as principais a hereditária e a iatrogênica. A variante hereditária está ligada diretamente à genética do indivíduo.

De acordo com especialistas, a forma hereditária é transmitida de maneira autossômica dominante. Isso significa que a alteração pode ser herdada de um dos genitores.

No caso de uma pessoa com alteração no gene PRNP, cada filho tem 50% de chance de herdar a variante genética correspondente. A condição, portanto, já nasce programada no DNA de alguns pacientes.

Já a forma iatrogênica ocorre quando príons em estado anormal são introduzidos no corpo de uma pessoa saudável. Esse tipo de transmissão está relacionado a intervenções médicas específicas.

O risco pode ocorrer durante procedimentos como transplantes de córneas, transplantes de fígado ou enxertos de dura-máter. O uso de hormônio do crescimento humano e de gonadotrofina derivada de pituitários cadavéricos também é citado como fator de risco.

Outras situações de risco envolvem a transfusão de sangue e procedimentos neurocirúrgicos. A utilização de instrumentação cirúrgica ou de eletrodos de profundidade que não tenham sido devidamente esterilizados também pode ser uma via de introdução do príon infeccioso.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.