Lipedema ou celulite? Entenda as diferenças entre a doença crônica e a alteração estética
Diferente da celulite, o lipedema é uma doença crônica que causa dor, hematomas e acúmulo desproporcional de gordura nas pernas.
Por Redação Diário Local
O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo que pode ser confundida com a celulite, mas que exige diagnóstico e tratamentos distintos. Diferente da celulite, que altera principalmente a textura da pele, o lipedema pode causar dor, sensibilidade, inchaço e um aumento desproporcional do volume das pernas e quadris.
A condição se caracteriza pelo acúmulo de gordura que não costuma responder facilmente a dietas ou exercícios físicos comuns. Mesmo quando há perda de peso no abdômen e no rosto, as pernas podem manter um volume elevado, gerando uma desproporção entre a parte superior e inferior do corpo.
Segundo a fisioterapeuta Luciana Oliveira, especialista no acompanhamento de pacientes com a condição, a diferenciação passa pela observação de sintomas físicos. Enquanto a celulite provoca o aspecto ondulado ou de "furinhos" na pele, o lipedema traz componentes de dor e desconforto.
Entre os sinais mais comuns do lipedema estão a sensação de peso e cansaço nas pernas, além de inchaço que tende a piorar ao longo do dia. Outro indicativo relevante é a facilidade para o surgimento de hematomas, mesmo após impactos leves.
A distribuição da gordura no lipedema costuma ser simétrica, atingindo as duas pernas, e apresenta uma característica visual específica: a preservação dos pés, o que cria uma espécie de "degrau" na região dos tornozelos.
É importante ressaltar que as duas condições podem coexistir. Uma mulher pode apresentar celulite e, simultaneamente, sofrer de lipedema, o que reforça a necessidade de uma avaliação que considere o histórico clínico e não apenas a estética.
Como perceber a diferença entre lipedema e celulite?
A principal diferença reside na presença de sintomas clínicos e na resposta do corpo aos métodos de emagrecimento. A celulite é uma alteração na organização da gordura e do tecido conjuntivo sob a pele, mas geralmente não causa dor intensa ou sensibilidade ao toque.
No lipedema, o diagnóstico deve considerar a dor, o edema (inchaço) e o impacto dos sintomas na rotina. A fisioterapia pode atuar no controle do desconforto e da sensação de peso através de técnicas como a drenagem linfática, embora ela não deva ser vista como uma solução isolada.
Qual o papel do exercício físico no controle da doença?
A prática de atividade física, especialmente a musculação, é uma aliada importante para a manutenção da capacidade funcional. O fortalecimento dos músculos das pernas favorece o retorno venoso e linfático, funcionando como um mecanismo de bombeamento natural para o corpo.
De acordo com o personal trainer Josué Nascimento, especialista em hipertrofia, o treinamento ajuda a reduzir o inchaço e o desconforto. O fortalecimento também oferece maior estabilidade para as articulações, facilitando tarefas como subir escadas ou permanecer em pé.
Contudo, o exercício não elimina a gordura característica do lipedema de forma isolada. O foco da musculação deve ser construir pernas mais fortes e funcionais, ajudando na circulação e na saúde metabólica, e não necessariamente na redução do volume da gordura doente.
O treinamento precisa ser estritamente individualizado. Em casos de dor e sensibilidade, a recomendação é priorizar cargas moderadas, maior número de repetições e uma execução de movimentos controlada para evitar que o esforço agrave o quadro clínico.
O objetivo principal do acompanhamento físico deve ser a preservação da massa muscular e a melhora da mobilidade. Uma evolução gradual e orientada permite que a paciente conquiste mais autonomia e qualidade de vida no cotidiano.
