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Saúde

Mapeamento molecular com IA ajuda a identificar novos caminhos para tratamento do autismo

Pesquisa mapeou como mutações genéticas reorganizam proteínas no cérebro, criando um guia para o desenvolvimento de novos medicamentos

Por Redação Diário Local

Cientistas mapearam as formas como mutações genéticas associadas ao autismo remodelam o cérebro, utilizando inteligência artificial e dados de células cultivadas em laboratório. O mapeamento molecular, publicado na revista Science nesta quinta-feira (27), pode auxiliar no desenvolvimento de terapias mais direcionadas para o transtorno do espectro autista.

O estudo revela como diversas mutações genéticas se conectam e reorganizam as interações entre proteínas no cérebro em desenvolvimento. O objetivo é permitir que a ciência foque nas interações proteicas, em vez de tentar atingir cada gene individualmente, o que seria complexo devido à existência de mais de 250 genes vinculados ao autismo.

Segundo Nevan Krogan, pesquisador sênior do Instituto Gladstone e professor da Universidade da Califórnia, em São Francisco, o conhecimento obtido funciona como um guia para a descoberta de novos fármacos. Ele afirmou que o grupo de pesquisadores já possui três programas em andamento para desenvolver novas terapias a partir das informações colhidas.

Como o mapeamento foi realizado?

Para construir o mapa, os pesquisadores realizaram um mapeamento sistemático de como as mutações influenciam as proteínas no cérebro. Eles identificaram mais de 1.800 interações proteína-proteína relacionadas ao autismo, das quais 87% ainda não eram conhecidas pela ciência.

O processo utilizou o sistema de inteligência artificial AlphaFold para priorizar as mutações mais importantes. Essas mutações foram, então, estudadas em organoides cerebrais — minúsculos cérebros cultivados em laboratório — para entender como as proteínas são reconfiguradas.

Krogan destacou que a inteligência artificial permitiu estudar proteínas que seriam impossíveis de analisar há poucos anos, trazendo clareza sobre a biologia do transtorno. O mapa é descrito como o maior já realizado para qualquer transtorno neuropsiquiátrico.

Quais são os próximos passos para o tratamento?

O estudo indica que, no futuro, será possível identificar medicamentos capazes de estabilizar complexos proteicos desorganizados ou bloquear interações prejudiciais. Isso evitaria a necessidade de corrigir cada mutação individualmente.

No entanto, especialistas apontam que a pesquisa é mais diretamente relevante para pessoas com autismo profundo, que representam cerca de 30% dos casos. Além disso, o diretor científico da organização Autism Speak, Andy Shih, alertou que a tradução dessas descobertas em aplicações clínicas reais é um processo que demanda tempo e pesquisas adicionais.

As descobertas também podem ajudar a esclarecer outras condições, como esquizofrenia, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtornos de tiques, além de outras doenças como o câncer.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.