Diário Local
Saúde

Médica alerta para mitos sobre emagrecimento e soluções fáceis disseminadas na internet

Endocrinologista esclarece que alimentos isolados não emagrecem e que a obesidade é uma doença crônica e multifatorial.

Por Davy Albuquerque

A busca por soluções rápidas e sem esforço para o emagrecimento tem gerado uma onda de desinformação nas redes sociais. Segundo a médica endocrinologista Gisele Dazzi, o excesso de conteúdos que prometem acelerar o metabolismo ou reduzir gordura localizada tem levado pacientes a tentarem métodos sem respaldo científico.

Um dos principais problemas apontados pela especialista é a crença de que certos alimentos possuem o poder de promover a perda de peso de forma isolada. Itens como água com limão, vinagre de maçã, café, gengibre e diversos tipos de chás são frequentemente apresentados como protagonistas, mas não têm capacidade de emagrecer sozinhos.

Dessa forma, a qualidade da alimentação como um todo e a associação com um estilo de vida compatível com a realidade de cada pessoa são os fatores que realmente fazem diferença no processo.

Por que a obesidade não é apenas falta de vontade?

Outro equívoco comum é tratar a obesidade como uma consequência exclusiva da falta de disciplina ou da ideia de "fechar a boca". A medicina classifica a obesidade como uma doença crônica e multifatorial, que é influenciada por componentes genéticos, hormonais, metabólicos, ambientais e também emocionais.

A especialista ressalta que, embora os hábitos de vida exerçam um papel importante, reduzir a complexidade da doença a uma questão de vontade contribui para o preconceito enfrentado por quem convive com a condição. Da mesma forma, nutrientes como carboidratos, frutas e glúten são frequentemente tratados como vilões sem considerar o contexto nutricional completo.

Qual o risco das dietas restritivas?

A ideia de que dietas cada vez mais rígidas trazem melhores resultados também é questionada pela prática clínica. Regimes extremamente restritivos podem até gerar uma perda de peso rápida no início, mas aumentam significativamente as chances de abandono do tratamento.

Além disso, essas restrições severas favorecem a recuperação do peso perdido posteriormente. Para a medicina, um tratamento só é considerado eficaz quando consegue ser mantido pelo paciente ao longo do tempo.

Como devem ser usados os medicamentos?

Quanto ao uso de medicamentos para o tratamento da obesidade, a endocrinologista esclarece que, apesar de serem avanços importantes na área, eles não realizam milagres. As medicações não devem ser utilizadas como substitutas das mudanças de hábitos diários.

O uso dessas ferramentas deve ocorrer obrigatoriamente com acompanhamento médico, aliado a uma alimentação adequada, atividade física e um plano terapêutico individualizado para cada paciente.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.