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Saúde

Musculação reprograma fígado e reduz gordura no órgão, aponta estudo da Unicamp

Pesquisa com camundongos indica que treinamento de força melhora a sensibilidade à insulina e reduz a inflamação hepática.

Por Davy Albuquerque

Um estudo desenvolvido na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) indica que a prática de musculação promove uma reprogramação molecular no fígado e auxilia na redução da gordura no órgão. A pesquisa, realizada com camundongos, demonstrou que o treinamento de força pode mitigar a doença hepática esteatótica, condição caracterizada pelo acúmulo de gordura e associada ao diabetes tipo 2.

Os experimentos observaram que o exercício de resistência influencia o funcionamento do genoma, ajudando a proteger o DNA contra os danos causados pela obesidade. O trabalho permitiu entender como o treinamento de força modula o metabolismo hepático por meio da epigenética.

Como a musculação atua no DNA?

A pesquisa focou na epigenética, ciência que avalia como fatores externos, como hábitos de vida, alteram o funcionamento dos genes sem modificar o código do DNA. Um dos processos estudados foi a metilação do DNA, que funciona como um "botão de ligar" para os genes.

Nos testes com roedores, oito semanas de musculação alteraram a metilação do gene MTCH2, que é responsável por como o fígado processa e utiliza a energia. O acúmulo de gordura em ambientes de obesidade costuma gerar inflamação crônica e falhas nas mitocôndrias (usinas de energia das células).

Com a prática da musculação, o ambiente hepático deixou de ser tóxico, o que reduziu a inflamação e devolveu a capacidade energética ao órgão. Esse processo permitiu que o organismo desligasse mecanismos de "modo de emergência" que aceleravam a progressão da doença.

Melhora na resistência à insulina

O fígado tem o papel de manter estável o nível de açúcar no sangue (glicemia). Em condições de obesidade, o acúmulo de gordura pode causar resistência à insulina, fazendo com que o órgão não responda corretamente aos comandos para controlar a glicose.

Os resultados apontam que, nos roedores obesos que realizaram treinamento de força, o fígado recuperou a sensibilidade à insulina. A atividade física também inibiu enzimas que provocam a fibrose (substituição de tecido sadio por cicatricial) e o crescimento celular desordenado.

Além disso, o treinamento impulsionou a produção de ATP5, uma proteína essencial para a geração de energia mitocondrial. Segundo os pesquisadores, com o aumento da energia disponível, as células saem do estado de alerta e favorecem a regeneração do tecido do fígado.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.