Estudo aponta que até 97% de jogadores da NFL podem ter doença cerebral degenerativa
Pesquisa indica que pelo menos 24,5% de atletas da liga apresentam sinais de encefalopatia traumática crônica (ETC).
Por Redação Diário Local
Pelo menos um quarto dos jogadores da liga de futebol americano (NFL) pode desenvolver a encefalopatia traumática crônica (ETC), uma doença cerebral degenerativa. O dado foi revelado por um estudo publicado nesta terça-feira (25) no periódico British Medical Journal.
A pesquisa, liderada pelo professor Daniel Daneshvar, da Escola de Medicina de Harvard, analisou os cérebros de atletas que disputaram ao menos um jogo da liga desde o início do uso obrigatório de capacetes de plástico, em 1949. O levantamento foca nos riscos de impactos repetidos na cabeça, comuns no esporte.
Os pesquisadores investigaram doações de cérebros de jogadores que faleceram entre 2016 e 2021. Dos 235 indivíduos examinados, a ETC foi confirmada em 215 casos. Com base nesses dados, a taxa mínima de incidência da doença é de 24,5%, mas a estimativa máxima pode chegar a 97,7%.
A extensão real da doença entre os atletas ainda é considerada incerta pelos especialistas. Isso ocorre porque a ETC só pode ser confirmada definitivamente por meio de exames cerebrais realizados após a morte (post-mortem).
O que é a ETC e quais os sintomas?
A encefalopatia traumática crônica é uma condição degenerativa causada por golpes repetitivos na cabeça. Além do futebol americano e do boxe, a doença também tem sido detectada em militares expostos a explosões.
Entre os principais sintomas estão o comprometimento cognitivo, a dificuldade para caminhar, a instabilidade emocional e pensamentos suicidas. O estudo identificou ainda que a gravidade da ETC está diretamente associada ao desenvolvimento de demência entre os doadores.
A relação entre a doença e a demência foi determinada a partir da análise de prontuários médicos e de entrevistas realizadas com familiares dos atletas. Os autores do trabalho reforçam que a prevalência da ETC no momento da morte é maior do que a demonstrada em estudos comunitários anteriores.
Limitações e importância do estudo
Os cientistas apontam limitações na pesquisa, como o fato de nem todos os ex-jogadores falecidos no período terem sido incluídos. Além disso, há a possibilidade de relatos de familiares sobre sintomas terem sido imprecisos ou exagerados.
Apesar disso, professores de instituições como o Centro Médico Universitário de Berlim e o Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde e Cuidados do Reino Unido elogiaram o desenho do estudo. Eles classificaram a pesquisa como uma das estimativas mais informativas disponíveis até o momento sobre o tema.
O estudo ressalta a necessidade de comunicar constantemente as evidências científicas para os jogadores da NFL, contemplando atletas de gerações passadas, atuais e futuras.
